26 julho 2008

Paisagem



Sarah Pickering



A maior dor do mundo a minha
velha dor tão rara tão
inesperada tão brutal que não dá
tempo para chamar fugir tentar
a posição que alivia as suas tenazes
negras

Respiro como se lhe obedecesse
e as garras cravam-se no mediastino
sobem à nuca como um calor maligno
paralisam os braços
verticais

Respiro
até ao degrau onde a violência se suspende
respiro
e é a dor que respira por mim e é dela
o hálito o ritmo a profundidade e é dela
este suor tão estranho

Quem pode escolher essa zona
do meu corpo como habitação Que vitória obterá
se me levar

Se voltar se continuar se aí não se detiver
vou talvez vê-la em combustão
nos lugares centrais onde aperta vou vê-la
regurgitada pela boca ou tão extrusiva que vem
pelo tórax salta entre as omoplatas
a dor maior do mundo a minha
velha dor tão rara

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