09 novembro 2008

In Bruges



Inesperadamente, pela mão de um quase estreante, um filme delicioso. In Bruges, escrito e filmado por Martin Mc Donagh. Uma história de bandidos sobre a culpa, a honra e o juízo final. O cenário é Bruges, à luz fria de um Inverno benigno. A torre sineira da praça do Mercado e as ruas adjacentes são o cenário para uma meditação sobre uma questão difícil de formular: pode um rapaz que matou uma criança, mesmo que por erro, esperar outra coisa que o Inferno, do qual Bruges é apenas a antecâmara. O rapaz é Ray, um Colin Farrel bruto e atormentado, fascinado por anões suicidas e vietnamitas, cinéfilo, que uma noite viu, entre as filmagens de uma produção europeia, a mulher mais bonita do mundo, aliás Clémence Poésy, aliás uma dealer que acabara de vender um calmante para cavalos ao anão do filme e geria, com um rapaz de Bruges, uma armadilha para turistas incautos e em urgência sexual. Os diálogos peripatéticos de Ray são travados com o excelente Brendan Gleeson, Ken, num irlandês cerrado de Dublin. Gleeson lê ficção nos velhos Penguin de capa laranja e na sequência final dá um recado de forma inesquecível, da torre sineira para a praça envolta em neblina, quando a trama da vida se enreda e as figuras humanas se transformam lentamente nos fantasmas que Bosch pintou para espanto dos visitantes do Museu Groeninge. Um delicioso personagem secundário composto por Tehkla Reuten, a estalajadeira, transporta no rosto e no ventre toda a esperança de que precisamos para esperar pela morte, em Bruges.

Etiquetas:

0 Comentários:

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

Hiperligações para esta mensagem:

Criar uma hiperligação

<< Página inicial