12 novembro 2008

Um rapaz do Mal: o guarda redes do Marialva

Também conheço o do Sertanense, e o que será em breve o guarda redes do Casaense. Mas o rapaz de catorze anos que defende as redes do Marialva resume as qualidades dos guarda-redes dos iniciados.É alto, sorridente e silencioso. Quando é preciso sabe falar.
–Larga- diz ele. Ou:- É minha. São as duas frases que diz, com voz de comando, a que a laringe de um rapaz magro de catorze anos permite. Reina na área. Sai aos cruzamentos. Os brutos do ataque carregam-no, à margem das leis, mas ele não se queixa, não reclama falta nem cartão. Sabe que essa é a sina do guarda-redes. Ser carregado em falta, não poder agarrar as bolas atrasadas com os pés pelos colegas de equipe, defender uma baliza cujos cantos superiores são inalcançáveis, enregelar entre os postes, festejar golos que não marcou. Não é muito dado à metafísica dos pénaltis. Aos catorze anos a angústia está do lado dos avançados, que falham metade das grande-penalidades. Tem as mãos enormes. No período de crescimento rápido da puberdade, as mãos dos guarda – redes crescem para caber nas luvas gigantes. A avó nunca viu nenhum jogo do Marialva. Tem quinze netos. Diz que este é o que tem maior coração. Ele ouve e sorri, sem perceber o destino que lhe estão a traçar.

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