06 dezembro 2008

O Jardim Botânico atrás das grades


foto de AKA

Botânicos, confirmo o encerramento do Jardim. Aos sábados de manhã, quando a ideia de Jardim se me atravessa. O espesso gradeamento separa-nos das araucárias, das tílias, da figura enregelada de Avelar Brotero, tão só,como nós cá fora, estátuas entre as folhas caducas dos plátanos.

Adenda: Este post foi escrito às dez horas. Ao meio-dia o Botânico estava aberto. Um rapaz vendia produtos naturais e mulheres de duas gerações comiam a mesma sopa, desconsoladamente, debaixo de uma tenda. Um turista espanhol, vendo uma jovem mulher apanhando mirtilos, aproximou-se. Ela recuou, pensando que o espanhol, vestido de azul operário, fosse um guarda do Jardim. Apanhar mirtilos num Jardim da Universidade é um acto de duvidosa legalidade e ela ouvia as longínquas campainhas da culpa e estava preparada para uma advertência. Quando o espanhol lhe pediu que o fotografasse, ela sorriu, com alívio ao sotaque andaluz. Interpretando mal o sorriso o turista estendeu a máquina à jovem mulher. A correia da pega enroscou-se-lhe nas mãos o que propiciou um contacto breve mas intenso. Nessa altura o namorado da jovem mulher que, num patamar abaixo, recolhia sementes de um pinheiro dos Himalaias, começou a subir as escadas justamente no momento em que a máquina era disparada. Ficou para a história o momento em que o sorriso do espanhol se gelou nos lábios e ele percebeu que continuaria sozinho a sua viagem. Cenas destas, histórias que morrem ao começar, acontecem todos os dias debaixo das tílias, no jardim da Universidade.

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