22 dezembro 2008

Perguntem a Esmeralda

A pretexto do Natal e da festa que reúne as famílias, um tribunal ordenou que uma criança de seis anos fosse entregue a um desconhecido de quem, por azar, herdou metade dos genes.
Não se estranha a ignorância do tribunal. Um juiz não tem de saber o que é uma criança - não se estuda nos Códigos. Mas os técnicos que têm acompanhado o processo? Não se entende o seu silêncio acomodado.
Os jornalistas contam que a criança gritava quando se deu cumprimento à deliberação do tribunal e o pai dos genes realizou enfim a sua posse. Fez-se justiça. Mas ninguém interroga esta justiça que prescinde da opinião da criança?
Tem seis anos. Os juízes de Tomar e de Coimbra têm dificuldades no pensamento abstracto. Mas vocês, leitores hipócritas, façam um esforço. Estão a ver uma rapariga de seis anos? Vinte quilos, um metro e quinze, calça vinte e sete, muitas sabem ler. Todas sabem onde e com quem gostavam de passar o Natal. Sabem reconhecer quem gosta delas e quem as ignora, quem as quer comprar com vestidos, luvas, um par de Levis.
Basta perguntar-lhes. Alguém perguntou?

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