24 fevereiro 2009

Qual Choupal


Janaina Tschäpe

Esta manhã caminhámos no Salvem o Choupal. Começámos às dez horas, na margem do rio. Separados da água por baldes de plástico, bacias, garrafas e restos de outros recipientes. Ainda não tínhamos andado quinhentos metros vimos uma pujante conduta de águas residuais espumando para o rio. Podia ser o emunctório da Pedrulha, do Ingote e do Bairro da Rosa mas o cheiro denunciava uma exploração de suinicultura, alguma empresa da Região Demarcada do Leitão. Uma família corajosa passava, ignorando educadamente o fedor. Na outra margem, tristemente penduradas nos ramos, bandos de aves negras, corvos marinhos migrantes das Desertas ou do grande rio Lethes . Algumas toutinegras nos silvados. Uma colónia de milhafres. Dois pescadores à inglesa. Um homem e um cão em fim de vida, passo de corrida, respiração acelerada e olhar trágico. A menina Dorinha e a amiga a fazer estiramentos. Garbosos cavaleiros do Clube Hípico, nenhum tão elegante como as montadas. Ciclistas de licra inteira, um espanto muscular em alumínio ultra leve.
Depois passámos para a margem esquerda e vimos os despojos da Feira dos 23, centenas de sacos de plástico refulgindo ao sol, arrastados para as couves vizinhas, espalhados pelo vento, disputados pelos cães vadios. E sacos de garrafas atirados contra postes de iluminação, latas de Coca Cola e de Fanta.
O passeio acabou na Ponte Açude. Um nojo. O lixo acumulado nas comportas, o esforço inglório dos ciclóstomos , um caniche pequeno esbaforido tentando penetrar um pequinês indiferente.
Um viaduto ameaça o Choupal. Salvem o Choupal. Qual Choupal.

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