24 maio 2009

Vital, o presunto ibérico e o Inatel



Zapatero esteve em Coimbra na campanha dos socialistas. O jornal descreve o entusiasmo dos socialistas de Coimbra, esclarecendo que à porta do pavilhão estavam camionetas de Setúbal, Castelo Branco, Leiria, Porto e Braga. As camionetas de campanha são uma imagem que faz a reconfortante ligação ao passado. Antigamente levavam os apoiantes da província ao Terreiro do Paço. Agora fazem o périplo da campanha de Sócrates. Um militante declarou que já estivera em Lisboa, Espinho e Guimarães. Para assegurar a equidade o Inatel socialista podia distribuir estes excursionistas pelas várias campanhas. Além do mais, as declarações aos jornalistas destes militantes de camioneta são sempre uma fonte de curiosidade sociológica e o efeito é muito semelhante ao que Eduardo Cintra Torres descreveu nas entrevistas que Bruno Nogueira selecciona para introduzir os sketches dos Contemporâneos - “ a vox populi (…)questiona a seriedade das coisas da vida”.

Vital Moreira continua infatigável no seu papel , aquilo a que Edward Said chamou de “elasticidade servil para com o seu campo”. Vital não esquece que é o pretexto de esquerda na campanha socialista. Como o seu secretário geral segrega ideologia de direita com a naturalidade com que a saliva se lhe acumula nos cantos da boca, a protestada pertença à esquerda de Vital soa forçada naquela exibição de efeitos especiais, loas ao poder e fatiota de Beverley Hills. Então Vital inventou uma designação para a outra esquerda, a que recorre sempre que as câmaras lhe dedicam algum espaço: chama-lhe radicais. Confortado com os sacramentos da esquerda não-radical , Vital sente-se bem, o que constitui outro critério para os eleitores terem em conta no momento de votar. Ou de não votar.

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