10 agosto 2009

Ainda o totoloto dos poetas de Coimbra



Uma onda de indignação varre o país. O professor João Lobo Antunes não foi indicado pelo Governo para o novo Conselho Nacional de Bioética (CNECV). Tal facto terá irritado Cavaco que reagiu através da sua Casa Civil – o que sempre é mais tranquilizante do que ter reagido através da Casa Militar. João Lobo Antunes fez o que competia a um putativo membro do CNECV- não prestou declarações. Ficámos assim com os mexericos. E com uma peça do Público, assinada por Ana Machado que será um case-study de desinformação e um atentado ao Livro de Estilo do Jornal.
O que fez a jornalista? Misturou informação ( o modo de formação do CNECV decorrente da Lei 24/2009 de 29 de Maio e a sua actual constituição) com opinião, ainda por cima facciosa e parcelar (declarações de Daniel Serrão puxadas para o título e para a legenda da fotografia do ex-Conselheiro, que ilustra a notícia, e onde se lê:

A nova formação do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, o CNECV, que tomou posse a 30 de Julho tem, nos seus 19 elementos, 11 personalidades designadas pelo Governo, pelo PS ou por institutos públicos.
E:

Para o médico e especialista em bioética Daniel Serrão, ex-conselheiro do CNECV, lugar que ocupou 15 anos, esta situação pode ser a morte do organismo consultivo que devia mostrar mais diversidade ideológica.).

Quem tiver tempo para aprofundar o tema saberá que a nova Lei, aprovada pela AR e assinada por Cavaco, prevê que a Assembleia eleja 6 pessoas – tendo PS e PSD repartido as nomeações dos eleitos; que 8 membros são indicados pela Ordens corporativas, pelo Conselho de Reitores, Academia das Ciências de Lisboa, Instituto de Medicina Legal e FCT; 5 designadas pelo Governo. Todas claro de reconhecido mérito, que assegurem especial qualificação no domínio das questões da bioética.
João Lobo Antunes poderia assim ter sido indicado pelo PS ou pelo PSD no âmbito da curée parlamentar, pelo Governo, pela Ordem dos Médicos, pela Academia das Ciências de Lisboa , pelos Reitores ou pela FCT.
Esta história está mal contada e muitos dos que escreveram fariam bem em refrear a sua indignação.
Humildemente confesso que não sei o que se está a passar na grande guerra do Alecrim e da Manjerona. Em Espanha, no pós-franquismo, falava-se muito dos poderes fácticos que modelavam as decisões do Estado. Assim se passa, tantos anos passados, com a República Portuguesa.

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2 Comentários:

Blogger isabel disse...

isto é uma não notícia que não tem ponta por onde se lhe pegue: ver o titulo, depois este parágrafo O "CNECV passa ainda a reportar à Assembleia da República e não ao Conselho de Ministros, como acontecia. E o presidente deixa de ser designado pelo primeiro-ministro e passa a ser eleito pelos pares." , um escolhido pelo psd, outro pelo ps, outro pela fct e depois o Daniel Serrão a dizer que não há diversidade (bio):) quanto a mim o Daniel Serrão está a ficar gagá e a jornalista idem.

terça-feira, agosto 11, 2009  
Blogger M disse...

E estaria Lobo Antunes interessado em continuar?Já agora seria interessante saber...
O PR "irritado" e tantos indignados mas com o quê exactamente?
Alguém pôs em causa a competência do professor?Ou foi a dos outros elementos escolhidos do CNECV?
Falta aqui qualquer coisa e a quem interessará a não explicitação?

E sim Isabel,Daniel Serrão está gagá,sendo que o mais grave é que continua a opinar e ninguém o ajuda a resguardar desta estranha forma de exposição!
Lamentavelmente "tudo isto" até "vende" , chamam-lhe jornalismo,até à próxima"notícia"!(sendo que não nutro qualquer simpatia pelo governo, para que conste!.
M

terça-feira, agosto 11, 2009  

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