09 janeiro 2010

Um homem e um lobo





O homem é Mark Rowlands, basicamente um filósofo. O lobo já viveu a sua vida. Chamava-se Brenin e viveu 11 anos, mais 4 do que a vida média dos seus irmãos em liberdade. Desde as duas semanas de vida de Brenin que estiveram juntos. Correram juntos, comeram juntos – e Brenin foi, durante algum tempo, pesco-vegetariano- viajaram, deram aulas numa Universidade americana!, jogaram rugby, lutaram juntos. No final da sua vida, durante uma doença particularmente repugnante, Brenin conseguiu dormir com Mark, na cama deste.
Agora Mark escreve sobre esses anos , um livro que é uma reflexão sobre o que é ser humano, primata, símio e também ser lobo. Ora acontece que Mark não se orgulha da cultura, do modo de ser e das estratégias símias. Mark contrapõe o comportamento social símio- baseado na Teoria da Mente, no maquiavelismo, no embuste, no ludíbrio, na manipulação para obter mais sexo e mais poder- à vida na alcateia. A cultura símia, onde o passado e a projecção do futuro, omnipresentes, esmagam o presente, e o ser lupino, baseado no instante, no gozo completo, integral, total, do instante. Mark não gosta dos macacos e entende-se porquê. Ao longo do livro cresce a sua admiração por Brenin e ele constrói uma moral e uma religião do lobo, para o uso de humanos como nós.
Um livro excepcional sobre uma experiência excepcional. Que tornou um homem melhor, ao mesmo tempo que o aproximou da alcateia e o afastou da horda símia.




O filósofo e o lobo, Mark Rowlands, lua de papel, 2009

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1 Comentários:

Anonymous fernando f disse...

Sempre que se associa as duas espécies, saímos a perder. A crítica recordou-me "Cão como nós".

domingo, janeiro 10, 2010  

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