03 maio 2010

Les Herbes Folles


Jeff Wall

Os grandes autores franceses envelheceram. Rohmer deixou-nos, como última obra, Os Amores de Astrée e Celadon . Rivette rodou em 2007 Ne touchez pas la hache . Resnais apresentou, em finais do ano passado, este filme, Les Herbes Folles.
O que estes filmes têm em comum é um olhar ingénuo sobre as relações humanas, ingenuidade a que, sem maldade, chamarei senil.
Desde logo na escolha dos actores: Sabine Azéma, agora com 60 anos, faz o papel de uma mulher de meia idade. André Dussollier (65 anos) é descrito por um polícia como “um homem de 50 anos”.
Os velhos apaixonam-se como as crianças. Actuam por caprichos. Mas são mais perigosos. Porque têm os meios para fazer o mal. Neste caso Resnais tem os meios para realizar filmes. E Georges Palet, a personagem de Dussolier, tem uma carabina (o seu olhar paralisante) com a qual mata as raparigas, por elas usarem cuecas pretas ou ousarem não estar à altura dos seus elevados sentimentos.
Não acho que seja a idade cronológica que determina o pensamento senil. Um grande homem criou, entre os 70 e os 85 anos, as vacinas que hoje salvam milhões de vidas. E alguns jovens adultos são emocionalmente frágeis como muitos velhos nunca serão.
Mas é impossível não sorrir com condescendência no filme de Resnais. Ou ficar irritado. Ou simplesmente aborrecido. O tipo de atitude que os velhos despertam.
Ao contrário do que as Laurindas e os Super-Sás espalham, com vozes de prozac, a velhice não é um lugar de serenidade. Que o diga o último Coetzee, o inevitável Roth (que sintomaticamente a mulher nula e neoténica de George Palet lê). A velhice não é um bom lugar. Que o diga o Julian Barnes de Mesa Limão. Ou David Lodge. Todos retratam a doença, a falta de lucidez, a limitação física e o isolamento da velhice com a crueza e a gravidade que parecem faltar a Resnais.

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