22 novembro 2010

Palo Palo contra a economia de Estado



Uma rapariga e um rapaz na linha verde do metro de B. Inicialmente não se ouve o que dizem. Decidem sentar-se. Frente a frente, nos bancos laterais. Dois metros de distancia. Ele abre a revista que traz na mão: qualquer coisa como Harvad Economics Review. O primeiro artigo tem como título: Crise. Estado ou Mercado. O rapaz pergunta em voz alta: - Estado ou Mercado? Sim. Estado ou Mercado? A rapariga tinha entretanto pegado num canudo de plástico, um tubo largo que mal cabia na boca e entretinha-se a abocanhá-lo com técnica, sorvendo, entre xupas e lambidelas, um produto escorrente. O tubo dizia Palo Palo. Palo Palo contra a Harvard Review of Economics, estava a decorrer um embate. - Estado - repetia o rapaz. - Ou Mercado? - e a rapariga, arregalando os olhos, emitia um som entre o prazer do Palo Palo e a vergonha de não ser capaz de alinhar mais nenhuma ideia sobre o tema. - Mercado é coisa má. Mercado favorece os ricos mas é ruim para pobre. Sempre ele. E a rapariga huummm, huuummm, olhos arregalados e depois Palo Palo fora da boca, língua afiada de assentimento. E o rapaz insistente: - Além do mais tem o fetichismo da mercadoria. O fetichismo da mercadoria é o fenômeno social e psicológico onde as mercadorias aparentam ter uma vontade independente de seus produtores. Ela segurava na base do Palo Palo, um fole de plástico , e espremia-o no sentido do do cilindro oco, num gesto ritual, como os usuarios de Blackberry com seus polegares, ou os cultores de um gadget exibindo intimidade com o seu funcionamento ao nível mais avançado, ou os miúdos com o Nintendo 5, sensor de movimento, giroscopio, media player de filmes, música e fotos, além de todas os aplicativos e funcionalidades do dsi, e muitas melhorias e novidades,

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