13 março 2011



André Bonirre

A manifestação assinalou um desses momentos de aceleração da história em que tudo o que fica para trás parece irremediavelmente antiquado. Momento simbólico: um manifestante transporta um cartaz em que as suas propostas estão escritas em árabe. Não porque ele se pense, como o alucinado, na Praça Tahir. Mas porque tem consciência de que é precisa uma nova língua para exprimir uma coisa nova. Felizmente não estávamos na Praça Tahir- havia mulheres, muitas mulheres sem medo.
Rui Ramos queixou-se de que ao escolher os percursos históricos e algumas canções e palavras de ordem do passado, a manifestação se tinha colocado no terreno da esquerda partidária ( Ramos pensava lisboeta, como de costume). Mas as criaturas que farão a manifestação que agrade a Ramos ( o Rui, como o pivot da SIC já lhe chama) já morreram há séculos e nunca encherão senão os salões da marquesa do Cadaval.Isto que escrevo não é um juízo de valor. É apenas uma constatação: o sobressalto cívico daquelas multidões não usou os símbolos que agradariam a Rui.

( continua)

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