07 maio 2011

Para alguns nada



André Bonirre

Ontem um homem escreveu numa revista: “Não nos custa perceber o que nos vai cair em cima: para alguns nada; para muitos maiores dificuldades; para muitos, pobreza; e para muitos mais, maior pobreza.” . Li alto, à mesa do bar, omitindo o autor. - Jerónimo? –tentou adivinhar alguém. –Não , Jerónimo não escreve dessa maneira, nem a chuva bate assim. Era José Pacheco Pereira, claro. Ou escuro. É tudo uma questão de estilo. Os pobres têm pouco estilo, mesmo quando o que dizem parece ser verdade. Dói também que a lucidez de Pacheco a prever o futuro e a nomear as vítimas não se dirija ao passado, ao presente e aos culpados. Culpados somos todos. Eu, ao meu nível, sou culpado. Chefio, sem autoridade, uma repartição onde todos os dias os clientes manifestam o seu desagrado. Digo para mim próprio que a culpa é dos meus superiores, que foram atrás dos depósitos, para o Dubai. Ou dos meus colaboradores, que não produzem de forma a atingir as metas. Ou da legislação que não me permite despedi-los e contratar outros, de certeza melhores. Culpado como os culpados, incompetente, vitalício e irresponsável .





3 Comentários:

Blogger fallorca disse...

Bem ilustrado, para variar; quanto à tua «reportagem» da Feira, as palavras ilustram-na bem

domingo, maio 08, 2011  
Blogger fallorca disse...

:)

domingo, maio 08, 2011  
Blogger Hugo Besteiro disse...

o Jerónimo usa expressões populares como "sair da frigideira para cair no lume"

não é um intelectual, mas/por isso (riscar a que não interessa), percebe-se bem ;)

quarta-feira, maio 11, 2011  

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