02 abril 2007

Rapazes, alguma reserva


(Maggie Taylor)

No início deste blog esforcei-me por dar alguns conselhos a uns rapazes. Eles não ouviram. Os rapazes lêem pouco, mais coisas técnicas ou de desporto. Os posts, modestos mas sinceros, foram ter a outros destinatários. Sem querer, dei informação excessiva a quem dela não necessitava. É sempre assim. Quase sempre. As mulheres da classe alta entopem as consultas chequeando maminhas e úteros e as necessitadas nem conhecem risco nem vacinas. Era costume, nas famílias, as raparigas receberem, das mães e das mulheres mais velhas, algumas instrução preparatória: sobre a linguagem, as maneiras, fingimentos. As meninas deviam disfarçar os sentimentos. A razão principal para isso acontecer é que nem todos os que nos rodeiam são escuteiros ou militantes da Ajuda de Berço. A segunda razão é que existe uma certa distância entre o que se diz e o que se quer dizer. A terceira é que nem sempre sabemos o que sentimos. Se as mulheres fossem transparentes os homens podiam ser todos autistas. Fingimos todos e as mulheres melhor, com mais elegância, mais sentido estético. Quando deixamos de o fazer somos patéticos. Internam-nos, medicam-nos, evitam-nos. Vem isto a propósito da educação sentimental. Ninguém deu aos rapazes os rudimentos da educação sentimental. Vejo-os muito desprotegidos. O que escrevi sobre Roberto aconteceu-lhe mesmo. E não foi a primeira vez que lhe aconteceu. Gosto mais de Violeta que de Roberto. Roberto nunca me lerá. Se alguma vez o fizesse queria dizer – lhe que as mulheres gostam de ser amadas com reserva.

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