13 maio 2007

Nova Declaração

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O Bonirre já deu o mote. Este blog, tal como existe, está condenado. Quando começou, a blogosfera estava a nascer neste País. Tinha a ilusão de falar sobre os meus livros, os meus poetas, a guerra de agressão que o ocidente mentiroso tinha desencadeado no Iraque, os lapiás que se levantavam no carso, as mamas empinadas das garçonettes do TAGV em dois mil e três, o vôo das aves de rapina, o encontro com os cavalos no Gerêz, a mulher, o homem e os outros animais.
Hoje a blogosfera é infinita (e infinitamente odiada pelos que sonham "regulamentar" todas as formas de expressão). Falar de livros é ainda necessário e a contracção do espaço literário nos media (Osvaldo Silvestre) dá à blogosfera essa responsabilidade. Mas há quem fale, e bem. Os meus poetas mudaram. Manuel de Freitas publica na Assírio ( poesia de qualidade); Ana Paula Inácio só voltará na sombra de alguns versos (Carlos Bessa); Rui Pires Cabral está quase na Academia, ao lado de Nuno Júdice; Pedro Mexia é uma estimada figura pública do centro. Embora reeditado, Carlos de Oliveira não é lido. (O espaço dos livros contraiu-se também nas livrarias, onde só se encontram as novidades, os mais vendidos. Os outros apodrecem em depósitos e garagens. Não terão sequer uma segunda oportunidade nas desacreditadas feiras.)
A guerra do Iraque acabou. Os agressores planeiam uma retirada que não seja vergonhosa. Ficará a guerra civil, o " governo democrático" que Bush, Blair e José Lamego ajudaram a criar e as grandes companhias mundiais apostadas na reconstrução e na extracção petrolífera. No Iraque, muito mais eficaz que a fatwa que Sarkozy lançou sobre o legado de Maio de 68, as bombas dos extremistas islâmicos acabaram com a vida de Sérgio Vieira de Mello e dos seus colaboradores, uma elite da ONU e do mundo irenaico do pós-guerra, forjada na revolução mundial de 68, como um jornal lembrou recentemente.
A ICAR recuperou. O magistério de Ratzinger é elegante e ilustrado, com pontos altos como a viagem à Turquia. Eu prefiro um Papa alemão, a famigerada tradição do Vaticano, o escarlate dos sapatos e da estola, o branco pérola das sotainas e casulas à pobreza intelectual dos pregadores televisivos evangélicos, ou das seitas cristãs latino-americanas. Quando os gerontes da Cúria Romana morrerem não haverá ninguém para os substituir e terão de apelar aos leigos. Um novo Vaticano II será então possível, ou coisa nenhuma, já se viram religiões com mais de dois mil anos desaparecer na História.
A direita parece ressurgir na Europa o que estranhamente surpreende ou alegra alguns. Mas, como escreveu Tony Judt em Pós-Guerra, as"grandes narrativas" da história europeia desapareceram. A vitória de Sarkozy não trará à França nenhuma novidade, no que respeita à demolição do estado liberal, que Sócrates, Campos e outros mais anónimos estão a executar, debaixo da bandeira socialista.
As lutas actuais não me interessam. Tenciono ser relapso na cruzada anti tabágica. Quero ser um fumador passivo ou activo, conforme as circunstâncias. A capa do livro Ambientes, que o Prozac amavelmente escolheu para O Livro da Semana neste blog, reproduz uma belíssima fotografia maldita. Janelas altas e longos reposteiros, jornais empilhados nas mesas e pendurados nas paredes, uma nuvem de fumo. Desde que as crianças sejam protegidas, da concepção à idade das escolhas responsáveis, não tenho nada contra os fumos e desde já ofereço o meu modesto primeiro andar do bairro operário para charutadas, cachimbadas e outras inalações.
Desejo o fim da perseguição homofóbica e da discriminação em torno das inclinações sexuais, desde que não envolvam crianças e outros seres incapazes de assentimento esclarecido. Mas não me atrai o casamento, seja qual for o sexo dos nubentes. Não contem comigo para esses abaixo-assinados.
Fica assim reduzido o ambito destes posts.
Vamo-nos dedicar ao que interessa: consultório sentimental onde sentimos possuir uma mais valia relativamente à Abelha Maia, celebrações, futilidades fashion e sobretudo maminhas e outras celebrações.

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