14 janeiro 2009

Um cardeal em Fátima


Muslim Fashion, algures, sob o Corão, numa ditadura branda

Concordo com o cardeal Patriarca: uma rapariga portuguesa pode "meter-se num monte de sarilhos" se casar com um muçulmano. É preciso ser- se hipócrita ou alteromundista para se escandalizar com uma afirmação destas. Uma rapariga portuguesa mete-se num monte de sarilhos se casar com um fundamentalista cristão americano, com um judeu ultra-ortodoxo em Israel, com um católico irlandês ou mesmo, infelizmente, com aquele meu amigo de Lamego que não tem religião nenhuma.

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17 julho 2007

Dona Alexandra Tété e o casamento. O Casamento.

O lobby do casamento é uma náusea, um pesadelo, uma coisa tenebrosa, como diria o António. Não passa pela cabeça de ninguém defender as razões da respiração, o bem que resulta da ingestão da água, da remoção dos parasitas que se agarram ao couro cabeludo, da locomoção. Agora surgem artigos de fundo em jornais de referência a defender o casamento. Vou ler. Pode ser que haja promoções, vendam a prestações.
Não. A senhora fala do “casamento heterossexual monogâmico” que considera “um bem público”. Esse bem público está hoje ameaçado pelos homossexuais, que se querem casar e se consideram discriminados pelos proprietários da instituição. A argumentação da senhora é de carácter jurídico-filosófico-estruturalista. Confesso que não entendi, nem estou aberto a esse conhecimento. Diz a senhora que “a campanha do lobby gay para a reconceptualização do casamento, de modo a incluir a união homossexual, não tem nada a ver com a igualdade de oportunidades”. “Visa antes”- continuo a citar-“ a promoção da conduta homossexual e a desconstrução do casamento e da família”. E enumera em seguida algumas das discriminações verdadeiras que existem na nossa sociedade, para as quais deviam ser dirigidos os dinheiros públicos.
Acho este tipo de argumentação inqualificável. Quando passo pelos discriminados nunca encontro a senhora. Mas agora as senhoras aprenderam o discurso da igualdade para melhor combater a luta contra a desigualdade. Acho que o casamento, se ainda existe, essa união de dois seres para o bem e para o mal, esse laço que dura plenamente enquanto dura, devia dissociar-se destas senhoras. Devia fazer escândalo, como o outro com os fariseus. Dizer o que pensa das listas, das prendas e dos presentes, das tendas com mesas numeradas como jazigos, das orquestras convidadas, da maionese com salmonelas, dos fotógrafos e dos ajudantes de fotógrafos, das tualetes, dos animadores de casamento e dos terapeutas familiares à espreita. O casamento, se ainda ouve outro discurso para lá do das senhoras aflitas com a manutenção do marido heterossexual-afinal-não-tão-monogâmico, devia dar um arzinho e dizer de sua graça oral, genital, anal, qualquer coisa em que se percebesse que merece que o olhemos com respeito.


(escrito a propósito do artigo de fundo da senhora Dª Alexandra Tété, da associação Mulheres em Acção, Público 2ª feira 16 de Julho)

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13 maio 2007

Nova Declaração

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O Bonirre já deu o mote. Este blog, tal como existe, está condenado. Quando começou, a blogosfera estava a nascer neste País. Tinha a ilusão de falar sobre os meus livros, os meus poetas, a guerra de agressão que o ocidente mentiroso tinha desencadeado no Iraque, os lapiás que se levantavam no carso, as mamas empinadas das garçonettes do TAGV em dois mil e três, o vôo das aves de rapina, o encontro com os cavalos no Gerêz, a mulher, o homem e os outros animais.
Hoje a blogosfera é infinita (e infinitamente odiada pelos que sonham "regulamentar" todas as formas de expressão). Falar de livros é ainda necessário e a contracção do espaço literário nos media (Osvaldo Silvestre) dá à blogosfera essa responsabilidade. Mas há quem fale, e bem. Os meus poetas mudaram. Manuel de Freitas publica na Assírio ( poesia de qualidade); Ana Paula Inácio só voltará na sombra de alguns versos (Carlos Bessa); Rui Pires Cabral está quase na Academia, ao lado de Nuno Júdice; Pedro Mexia é uma estimada figura pública do centro. Embora reeditado, Carlos de Oliveira não é lido. (O espaço dos livros contraiu-se também nas livrarias, onde só se encontram as novidades, os mais vendidos. Os outros apodrecem em depósitos e garagens. Não terão sequer uma segunda oportunidade nas desacreditadas feiras.)
A guerra do Iraque acabou. Os agressores planeiam uma retirada que não seja vergonhosa. Ficará a guerra civil, o " governo democrático" que Bush, Blair e José Lamego ajudaram a criar e as grandes companhias mundiais apostadas na reconstrução e na extracção petrolífera. No Iraque, muito mais eficaz que a fatwa que Sarkozy lançou sobre o legado de Maio de 68, as bombas dos extremistas islâmicos acabaram com a vida de Sérgio Vieira de Mello e dos seus colaboradores, uma elite da ONU e do mundo irenaico do pós-guerra, forjada na revolução mundial de 68, como um jornal lembrou recentemente.
A ICAR recuperou. O magistério de Ratzinger é elegante e ilustrado, com pontos altos como a viagem à Turquia. Eu prefiro um Papa alemão, a famigerada tradição do Vaticano, o escarlate dos sapatos e da estola, o branco pérola das sotainas e casulas à pobreza intelectual dos pregadores televisivos evangélicos, ou das seitas cristãs latino-americanas. Quando os gerontes da Cúria Romana morrerem não haverá ninguém para os substituir e terão de apelar aos leigos. Um novo Vaticano II será então possível, ou coisa nenhuma, já se viram religiões com mais de dois mil anos desaparecer na História.
A direita parece ressurgir na Europa o que estranhamente surpreende ou alegra alguns. Mas, como escreveu Tony Judt em Pós-Guerra, as"grandes narrativas" da história europeia desapareceram. A vitória de Sarkozy não trará à França nenhuma novidade, no que respeita à demolição do estado liberal, que Sócrates, Campos e outros mais anónimos estão a executar, debaixo da bandeira socialista.
As lutas actuais não me interessam. Tenciono ser relapso na cruzada anti tabágica. Quero ser um fumador passivo ou activo, conforme as circunstâncias. A capa do livro Ambientes, que o Prozac amavelmente escolheu para O Livro da Semana neste blog, reproduz uma belíssima fotografia maldita. Janelas altas e longos reposteiros, jornais empilhados nas mesas e pendurados nas paredes, uma nuvem de fumo. Desde que as crianças sejam protegidas, da concepção à idade das escolhas responsáveis, não tenho nada contra os fumos e desde já ofereço o meu modesto primeiro andar do bairro operário para charutadas, cachimbadas e outras inalações.
Desejo o fim da perseguição homofóbica e da discriminação em torno das inclinações sexuais, desde que não envolvam crianças e outros seres incapazes de assentimento esclarecido. Mas não me atrai o casamento, seja qual for o sexo dos nubentes. Não contem comigo para esses abaixo-assinados.
Fica assim reduzido o ambito destes posts.
Vamo-nos dedicar ao que interessa: consultório sentimental onde sentimos possuir uma mais valia relativamente à Abelha Maia, celebrações, futilidades fashion e sobretudo maminhas e outras celebrações.

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01 maio 2007

O primeiro de Maio é vermelho


Sophie Calle


...nos nossos corações.

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