08 maio 2007

Sócrates, Sarkozy, sem surpresas


René Laloux

Pedro Mexia achou surpreendente ouvir o presidente eleito (dos franceses) dizer «os nossos amigos americanos» e ser imediatamente ovacionado. Eu não acho nada surpreendente. Quem fala para fiéis recebe sempre a ovação esperada. Outra questão é saber se uma ovação é um critério de verdade. Se Sarkozy dizer “os nossos amigos americanos” significa que os americanos são nossos amigos. Que americanos? Amigos de quem? Quem são os amigos americanos de S. e do “nós” de S.? Amigos para quê? Para destruir o legado de Maio de 68? Mas que legado?

A propósito do legado de Maio 68 o que disse Sarkozy?


Nicolas Sarkozy a accusé « les héritiers de mai 68 », dont fait partie pour lui la gauche, d'avoir détruit les valeurs et la hiérarchie. « Ils avaient imposé l'idée que tout se valait, qu'il n'y avait donc désormais aucune différence entre le bien et le mal, aucune différence entre le vrai et le faux, entre le beau et le laid », avait souligné le candidat UMP.

« Ils avaient cherché à faire croire que l'élève valait le maître, qu'il ne fallait pas mettre de notes pour ne pas traumatiser les mauvais élèves, et que surtout il ne fallait pas de classement. Que la victime comptait moins que le délinquant », avait-il encore ajouté, appelant les électeurs à trancher le 6 mai : « Dans cette élection, il s'agit de savoir si l'héritage de mai 68 doit être perpétué ou s'il doit être liquidé une bonne fois pour toutes
».


Sarkozy julga que estas eleições liquidaram o legado de maio 68. De facto a revolução mundial de 1968, que abalou o Sistema-Mundo do Viet Nam ao México, da América à Checoslováquia, há muito que se extinguiu. A Velha Esquerda continuou o seu processo de extinção sem que nada de entusiasmante a substituísse, do populismo latino americano às terceiras vias do Centro. A desagregação do sistema histórico do capitalismo trouxe de volta à Europa os lideres autoritários, em quem os poderosos confiam para acabar com o que resta do estado liberal ou em quem as massas acreditam serem capazes de frenar a emigração, limitar os direitos dos emigrantes e manter controlada a banlieue. Mas a guerra continua. Os amigos americanos não virão acudir à fogueira dos nossos carros capotados porque terão com que se ocupar em Los Angeles ou na fronteira mexicana. Ou dito de outra maneira mais optimista e militante: Os amigos americanos do nós de Sarkozy terão que se haver connosco, lá e em todo o lado, partout, acreditando que uma nova ordem é possível, que o fim do capitalismo não será o fim da espécie, que outro ciclo é possível, de outra maneira.

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