07 setembro 2010

Horácio Gatão shared uma ligação com Jeanne Balibar



Ouvi dizer que o Pedro Mexia se desarriscou do Facebook. Eu não leio o PM desde que ele se obrigou a colunas semanais, sempre na pegada de João Bénard da Costa. PM é demasiado inteligente para mim. Gostei dele quando era um jovem poeta desconhecido e continuei a gostar dele quando era um talentoso reaccionário do início do século. Nunca gostei do centrão. E a pior coisa que há são os chatos do centrão. Mas se o que me dizem é verdade, o PM declarou ao povo leitor o seu apagamento no facebook.
O facebook é a Caras dos pobrezinhos. Mas os pobrezinhos têm direito a acreditar que a sua vida é importante. Faz da tua vida uma obra de arte, disseram várias pessoas, dos surrealistas ao papa Ratzinger. As pessoas vulgares aspiram a fazer da sua vida uma obra de arte e agora, com a democratização dos meios de edição, têm oportunidade de o fazer. É bom acreditar que as minhas férias, em Peniche, A-ver-o-Mar, Cartagena das Índias, Formentera ou Engadine foram no Paraíso. A disseminação da fotografia digital e dos meios de difusão fazem o resto. 23 pessoas gostam disto. A Pipas Athayde gosta disto, uau. Estás magnífica lol. Sempre a mesma, diz o velho amigo. Olha para nós na Cabanita, nas noites mais quentes deste Verão. Olha para a minha maquilhagem, como brilha. E as nossas mamas ao alto. E os rapazes, tão bêbedos. E as crianças, como gostamos delas. Olha para mim, pose de praia, casamento, baptizado. O que é que me falta para ser a Débora Lyra. Há cinco anos era o hi 5 para as miúdas do Liceu brincarem a gente crescida e os rapazes escreverem enormidades nos comentários. Agora o grande Parque Jurássico comeu tudo e as redes sociais misturam as gerações, todas ao molhe, grandes teóricos a construir a nova economia anti-capitalista, casais de swing envergonhado, desiludidos da vida à espreita de novas oportunidades.
É a vida verdadeira misturada com a outra, a Gata Borralheira sem hora de regresso. É bom, deve fazer bem à saúde, é barato, económico e não se apanham doenças contagiosas.
Claro que o PM não gosta. O PM não se mistura com qualquer pessoa. Professores e alunos, administradores e recibos verde, precários e V. Exa., poetas e poetastros, gajas mesmo boas e a menina Amélia, a Pipas Athayde e a babá. O PM quer, merece e vai ter amigas a sério, abraços a sério, risos e boquinhas de espanto ao natural.
Eu sou uma pessoa vulgar, com uma vida vulgar que até parece um sonho com a lente Zeiss da máquina Leica de 199 euros. Viva o facebook. Queres ser meu amigo?

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02 setembro 2009

Lei Seca

Pedro Mexia regressa com a Menina Limão.

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09 agosto 2009

Menos por menos Orvar Lofgren


Pedro Mexia assina no Público de hoje uma crónica sobre a praia.Mexia parece ter lido On Holiday, um livro do etnólogo sueco Orvar Lofgren. Gostei bastante de Orvar Lofgren embora o sistema de citações não me tenha permitido perceber exactamente os momentos em que ele cita Mexia.

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02 julho 2009

2048


Andre Kertész


Pedro Mexia deu ontem entrada, pela mão amável e surpreendentemente intimidada de Constança Cunha e Sá, na galeria dos homens de cultura do regime. E pela amostra o novo regime não vai espantar. Ainda não é ministeriável para a Cultura - uma espécie de Malraux-Lang da sra. MFL-, não sabemos se sucederá a Bénard da Costa na Cinemateca- o que seria uma boa escolha, diga-se de passagem. Mexia respondeu como se esperava. É uma mente bem estruturada, limou a radicalidade de direita, é um católico praticante que procura ler sobre a sua religião, vive da escrita e merece viver bem quem assim escreve. Permanece cínico e pessimista- mas a vida sorri-lhe e se resolver a questão que mantém com as mulheres, mesmo esta sua idiossincrasia se adoçará. É agora capaz de escrever sobre tudo: e em breve sobre coisa nenhuma. Tem consciência do seu público- quando Constança Cunha e Sá o questionou por ele só parecer conhecer alguma música pop, escusou-se, dizendo já ter escrito sobre Haydn e Messiaen.
Em tempos, Osvaldo M. Silvestre escreveu a sua nota necrológica que, parecendo irónica, se veio a revelar incrivelmente certeira. O tempo passa depressa, neste começo de século.

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23 setembro 2007

Teresa Caeiro

Provavelmente Pedro Mexia gosta de Teresa Caeiro pelas mesmas razões que eu. Mas não precisa de ser tão ingénuo. O que levou os perguntadores à suposição foi o mesmo que fez Teresa Caeiro, a mulher que não gosta do Estado e conhece o código genético da direita, comunicar a sua gravidez a... Paulo Portas.

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08 maio 2007

Sócrates, Sarkozy, sem surpresas


René Laloux

Pedro Mexia achou surpreendente ouvir o presidente eleito (dos franceses) dizer «os nossos amigos americanos» e ser imediatamente ovacionado. Eu não acho nada surpreendente. Quem fala para fiéis recebe sempre a ovação esperada. Outra questão é saber se uma ovação é um critério de verdade. Se Sarkozy dizer “os nossos amigos americanos” significa que os americanos são nossos amigos. Que americanos? Amigos de quem? Quem são os amigos americanos de S. e do “nós” de S.? Amigos para quê? Para destruir o legado de Maio de 68? Mas que legado?

A propósito do legado de Maio 68 o que disse Sarkozy?


Nicolas Sarkozy a accusé « les héritiers de mai 68 », dont fait partie pour lui la gauche, d'avoir détruit les valeurs et la hiérarchie. « Ils avaient imposé l'idée que tout se valait, qu'il n'y avait donc désormais aucune différence entre le bien et le mal, aucune différence entre le vrai et le faux, entre le beau et le laid », avait souligné le candidat UMP.

« Ils avaient cherché à faire croire que l'élève valait le maître, qu'il ne fallait pas mettre de notes pour ne pas traumatiser les mauvais élèves, et que surtout il ne fallait pas de classement. Que la victime comptait moins que le délinquant », avait-il encore ajouté, appelant les électeurs à trancher le 6 mai : « Dans cette élection, il s'agit de savoir si l'héritage de mai 68 doit être perpétué ou s'il doit être liquidé une bonne fois pour toutes
».


Sarkozy julga que estas eleições liquidaram o legado de maio 68. De facto a revolução mundial de 1968, que abalou o Sistema-Mundo do Viet Nam ao México, da América à Checoslováquia, há muito que se extinguiu. A Velha Esquerda continuou o seu processo de extinção sem que nada de entusiasmante a substituísse, do populismo latino americano às terceiras vias do Centro. A desagregação do sistema histórico do capitalismo trouxe de volta à Europa os lideres autoritários, em quem os poderosos confiam para acabar com o que resta do estado liberal ou em quem as massas acreditam serem capazes de frenar a emigração, limitar os direitos dos emigrantes e manter controlada a banlieue. Mas a guerra continua. Os amigos americanos não virão acudir à fogueira dos nossos carros capotados porque terão com que se ocupar em Los Angeles ou na fronteira mexicana. Ou dito de outra maneira mais optimista e militante: Os amigos americanos do nós de Sarkozy terão que se haver connosco, lá e em todo o lado, partout, acreditando que uma nova ordem é possível, que o fim do capitalismo não será o fim da espécie, que outro ciclo é possível, de outra maneira.

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