25 junho 2007

Um dos homens de Lady Chatterley


O sexual intercourse começou no Reino Unido em 1963, o ano do primeiro LP dos Beatles e do fim da proibição de Lady Chatterley. Infelizmente para Philip Larkin, era um pouco tarde. Em Portugal, pelas minhas contas, deve ter começado em 1969 para alguns e depois de 1974 para outras e outros, felizmente mais numerosos e numerosas.
Hoje é difícil de acreditar que o último livro de Lawrence, escrito em 1927-28, tivesse estado proibido até tão tarde. Apesar da Sida e do regresso das religiões, a interdição sobre o sexo parece obsoleta. E, no entanto, o filme de Pascale Ferran surpreende. Houve quem saísse aos setenta minutos. Eu fiquei. Gostei sobretudo daquele homem, o guarda-caça. Um homem de confiança. Vê-se na cabeça, no pescoço curto, no tronco largo onde uma mulher se pode encostar. Um homem que se deixa tocar. Que se despe, para que a mulher o veja, como talvez ele gosta de a ver. Que percebe que ainda não chegou o seu tempo, o seu século, mas que responde sim, sem reticências, à pergunta final. Os autores utópicos do século XX cantavam que a mulher era o futuro do Homem. Um homem assim é o futuro do homem. Oxalá não se tenha peredido em Sheffield.

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