11 julho 2007

As mulheres no Verão


Nick Knight


Andam de pés descalços em sapatos só de tira estreita. Pés discretamente cavos, magros, de calcanhares finíssimos. Foram precisas poucas gerações de mulheres ociosas para que surgissem calcanhares assim, tão frágeis, ceroplásticos, confiantes. Têm tornozelos finos. Os joelhos lisos. Os pubis triangulares, losângicos, reduzidos a uma tira. As mamas pequeninas, separadas, de mamilos sempre exaltados. Os soutiens sem alças, arrojando as maminhas, tapando apenas a redondeza externa, soutiens amigos-dos-homens. As saias curtíssimas, mas bojudas, com bolsos em lugares improváveis, dando a ilusão de estarem cheios. Os cabelos molhados como se estivessem sempre a sair das águas na direcção dos touros broncos. As mulheres nuas da Europa são o ponto mais alto da evolução, uma poderosa mensagem de paz e confiança nos homens.

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08 julho 2007

Um homem

Um homem não pode, por enquanto, ter mais credibilidade do que uma sinfonia. Mas deve ter a credibilidade de uma sinfonia.

//com rosaarosa

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25 junho 2007

Um dos homens de Lady Chatterley


O sexual intercourse começou no Reino Unido em 1963, o ano do primeiro LP dos Beatles e do fim da proibição de Lady Chatterley. Infelizmente para Philip Larkin, era um pouco tarde. Em Portugal, pelas minhas contas, deve ter começado em 1969 para alguns e depois de 1974 para outras e outros, felizmente mais numerosos e numerosas.
Hoje é difícil de acreditar que o último livro de Lawrence, escrito em 1927-28, tivesse estado proibido até tão tarde. Apesar da Sida e do regresso das religiões, a interdição sobre o sexo parece obsoleta. E, no entanto, o filme de Pascale Ferran surpreende. Houve quem saísse aos setenta minutos. Eu fiquei. Gostei sobretudo daquele homem, o guarda-caça. Um homem de confiança. Vê-se na cabeça, no pescoço curto, no tronco largo onde uma mulher se pode encostar. Um homem que se deixa tocar. Que se despe, para que a mulher o veja, como talvez ele gosta de a ver. Que percebe que ainda não chegou o seu tempo, o seu século, mas que responde sim, sem reticências, à pergunta final. Os autores utópicos do século XX cantavam que a mulher era o futuro do Homem. Um homem assim é o futuro do homem. Oxalá não se tenha peredido em Sheffield.

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