22 julho 2007

Notas de Leitura 2

Não partilho dos que pensam que a coerência é um valor estimável. Também não gosto dos arrependidos. Os arrependidos só existem nas sociedades que impôem valores oficiais. Acho que as pessoas inteligentes podem mudar de opinião. O que fazemos a todo o instante, mesmo quando recusamos o proselitismo, é tentar convencer os outros. O sufrágio universal e a democracia só fazem algum sentido se se acreditar na capacidade que as pessoas têm de aceitar os argumentos dos outros como razoáveis e mudar as suas opiniões. Um salazarista que "assim se manteve até ao fim", um comunista que "não deixou de o ser", um que se manteve adepto da frenologia, do criacionismo ou da geração espontânea, apesar das evidências e sobretudo ignorando as evidências, não me despertam admiração.
Como disse uma vez Pacheco Pereira, acho corajoso que Zita Seabra, que construiu uma imagem pública no PCP, tenha aderido a outro partido e aí lute pelas suas novas ideias. É por elas que deve ser apreciada e não pela coerência autobiográfica. Os dissidentes comunistas não devem ser apreciados pelo silêncio, nem estar sujeitos a nenhuma regra de exclusão da vida pública.

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