23 julho 2007

Notas de Leitura 8

O livro é de interesse desigual. Quatro partes. A adesão ao PC e a vida na clandestinidade, escrita em tom menor, interessante. A fase final da clandestinidade, quando Zita tem finalmente funções dirigentes na Lisboa dos anos que precedem o 25 de Abril e se prolonga até ao 25 de Novembro, cheias de arrogância e euforia. Uma fase confusa que precede a dissidência. A dissidência e o processo de expulsão. Um epílogo dispensável. As primeiras partes poderiam ter sido escritas por qualquer dirigente do PC. As últimas também.
Repetições, um trabalho descuidado de revisão, uma preocupação excessiva em contextualizar o seu percurso, o recurso cansativo ao jargão comunista, um ou outro ajuste de contas pouco claro, algumas passagens que se percebe constituirem sobretudo uma justificação, não retiram o mérito do livro. Um depoimento convincente de alguém que viveu uma experiência próxima do fanatismo religioso e foi capaz de preservar saúde mental para sobreviver e continuar uma existência normal.

Foi assim, ed Aletheia, Zita Seabra, 2007 (443 pp, 18 €)

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