14 setembro 2007

O silêncio


Harri Kallio

Quando nos debruçamos sobre os estudos da consciências percebemos que funcionamos em torno de duas ficções fundamentais. Uma ficção sobre a nossa existência e uma ficção sobre o mundo. A partir de elementos dispersos e descontínuos elaboramos uma narrativa repleta de ligações e significados. Esta lucidez pode ser perturbadora. A maior parte das pessoas que lê a investigação sobre a consciência reage como os crentes enérgicos quando confrontados com a ausência de deus. Não querem saber, faz-lhes mal saber, agradecem que não lhes digam. Mas um dia ouvem o vazio. Um dia a brisa da manhã, o canto rouco de uma catatua, as rodas dos automóveis no alcatrão, a música da antena 2, não servem para esconder os silêncios. Os espaços de silêncio. Um dia habitaremos esses espaços, contentes por sermos, felizes da neblina e do nevoeiro, do suor e da saliva.

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