03 novembro 2008

Biografia de um Inspector da Pide



A História da Pide, a Biografia de um inspector da Pide e o trabalho mais recente de Irene Flunser Pimentel são importantes para a história do país que fomos durante quase todo o século XX. Um país pequeno e pobre , periférico e isolado, de gente inculta e medrosa, denunciantes e funcionários públicos, respeitosos para com as fardas e as sotainas. Para as gerações que nasceram e cresceram depois de 1974 esse país é tão longínquo como o Portugal das invasões francesas ou das lutas entre liberais e absolutistas. Paradoxalmente, algumas instituições do salazarismo persistem entre nós. Uma delas é o Partido Comunista, que foi um baluarte de resistência e influenciou muita gente boa e generosa . O PCP é hoje uma relíquia estimável se for mantida à distância, como curiosidade sociológica. Se o deixam à solta ele faz o que sabe: destrói arquivos, apaga fotografias, escreve resumos de manuais, insulta. No caso do último livro de Irene F. Pimentel o comportamento do director do jornal Avante foi paradigmático. Incapaz do esforço mental de ler as 396 pgs do livro e de contrapor ao trabalho sério da investigadora as suas fontes, José Casanova escreveu umas catilinárias num artigo de opinião, cuja única finalidade consiste em apontar aos fiéis o inimigo e dissuadi-los de ler, conhecer, discutir, interrogar.
Os leitores do Avante têm a obrigação de exigir ao seu director um repto a que, 34 anos depois da democracia, ele não se pode eximir. Se não foi assim, como é que foi? Se os documentos existentes são estes, quais são os que o Partido- pior que o Departamento de Estado- detém e não revela.

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