26 novembro 2008

Depois de Pedro Rosa Mendes


Lajos Vajda

A repartição onde trabalho tem sessenta e três pessoas. São quase todas gentis, educadas, agradáveis, bem dispostas, cheias de confiança na vida e orgulhosas do seu CV. Nenhuma leu o artigo que o Pedro Rosa Mendes ontem escreveu sobre o estado insustentável de Timor-Leste. Como é possível o mundo continuar o mesmo depois do artigo de Pedro Rosa Mendes. Lembro-me do ano guterrista de 1999 e de atravessar a ponte com o peito pequenino das notícias de Timor, os guerrilheiros famélicos nas montanhas, os malvados ocupantes indonésios, os timoratos australianos e a heróica diplomacia portuguesa na ONU. Hoje, de entre as sessenta e três pessoas com quem trabalho, algumas das quais sujeitas a avaliação periódica de desempenho e em pleno cumprimento dos objectivos definidos,ninguém,nenhuma, leu o Pedro Rosa Mendes. E nenhuma sabe da intervenção de João Aibéo no processo Casa Pia. Nenhuma leu a entrevista do MEC na revista Ler. Penso nas coisas importantes das suas sessenta e três vidas, nestes dias que passaram. E não consigo imaginar como se pode existir, continuar sendo, sem ter lido Pedro Rosa Mendes, a entrevista do MEC e a forma como Aibéo chega ao fim do processo que nunca iria acabar e cujo nome impronunciável, se se diz é de lábios esticados.

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