26 novembro 2008

A rapariga, o beijo.


Eva Bosnyo


No princípio era um beijo. O primeiro beijo. No ginásio, na última fila do cinema, na escada do prédio. Foi preciso passar pelas graçolas dos rapazes, quase sempre boçais, a pele baça dos rapazes, a palidez, ou pior, o sebo à espera do acne, os cortes da gilete, os ridículos sms. Ele não merece. Nunca merece. Onde quer que uma rapariga beije um rapaz está uma criança a ser beijada por uma mulher. Uma criança blindada que quer experimentar, saber, coleccionar. Lábios em sangue contra lábios de cimento. A história começa mal.

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