21 dezembro 2009

O gay egoísta


Sarah Moon


Para modernizar a agenda eleitoral, Sócrates, o pior dos farsantes, prometeu o fim da discriminação heterosexual no casamento e convidou um intelectual para o espectáculo. Há sempre um intelectual pronto para morder o isco. Um intelectual ou um operário, no tempo em que havia classe operária. Dizia-se então que não tinham consciência de classe ou que a tinham em excesso, consoante o prisma. Os intelectuais aderiram. Era a sua janela de oportunidade. Como se o engenheiro do Fundão pudesse abrir janelas que não dessem para os pátios do costume: a esperteza, o negócio, a trapalhada, a conciliação sem princípios. Os gays prestaram-se à jogada do mestre beirão. Como as Isildas do costume e as sotainas de naftalina vieram a correr, houve almas distraídas que pensaram estar ali uma batalha ideológica, daquelas que une a esquerda, A Esquerda, esse guarda-chuva virtual que serve de abrigo a tanto malandro. Uma das revelações do ano foi ver a Unidade Simplex, com gente de bem a fazer a campanha do malandro e a perder a tramontana, como sucede nas acções prosélitas. Agora está tudo claro: os gays são iguais, mas diferentes. Para menos. Podem casar mas é-lhes vedada a adopção. Vão lá fazer as porcarias para longe das crianças. Fica assim consagrada a suspeição infamante de serem perigosos para o desenvolvimento da infância. É proibido votar outra coisa que não esta, decretou o chefe. Como se o esclarecimento se fizesse cedendo à ignorância e a justiça pactuasse com a discriminação. História triste. Uma lição para quem se mete com os capatazes da construção civil.

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7 Comentários:

Anonymous fernando f disse...

Não há grande volta a dar, tirando o economista de Boliqueime, ou o engenheiro do Fundão, não temos chefe que se/nos aguente. O engenheiro falante, quando o pântano lhe chegou ás canelas, viu-se incapaz se o secar, arrepiou caminho e fez-se ao seco. O doutor patinhas quando lhe acenaram com a árvore das patacas, descobriu a sua verdadeira vocação agrónoma e foi tratar das couves de/a Bruxelas.

segunda-feira, dezembro 21, 2009  
Anonymous margarete disse...

os 3 posts sobre o assunto estão todos muito bons, Luís

custa que se enrede tanto a questão fugindo tortuosamente às questões
seria bom que as pessoas desejassem ser honestas csg pp ao questionar-se (se é que se questionam de todo...)

beijinhos,
bom natal

segunda-feira, dezembro 21, 2009  
Anonymous blue disse...

como é triste que estejas cheio de razão.

segunda-feira, dezembro 21, 2009  
Anonymous jose albergaria disse...

Até nem me parece mal a sua abordagemm do tema dos casamentos gays, mas perder a "trasmontana" é perder uma gaja nascida em trás-os-montes.
Não lhe parece?
Já perder a tramontana é aquilo que, porventura, quis, efectivamente, dizer: perder o Norte, deixar de se guiar pela Estrela Polar.
Cumprimentos,J.A.

segunda-feira, dezembro 21, 2009  
Blogger Luís disse...

obrigado a todos, especialmente ao josé albergaria pelos motivos óbvios.

terça-feira, dezembro 22, 2009  
Blogger Rui Figueiredo Vieira disse...

200% de acordo!

terça-feira, dezembro 22, 2009  
Blogger MFerrer disse...

Claro!
pois claro!
Claríssimo!
Tá-se a ver!
Olha vejam lá esta coerência.
Isto é que é ser homem!

"A minha intuição dizia-me que uma atitude defensiva face aos obstáculos criados pela Assembleia da República não compensava. Procurava então contra-atacar e tornear as dificuldades criadas. Alertava o País e acusava a oposição de obstrução sistemática e de querer impedir o Governo de governar. A oposição, por seu lado, acusava o Governo de arrogância, de seguir a táctica de guerrilha com a Assembleia e de manipular a opinião pública contra ela. [...]

Face à acção dos partidos visando descaracterizar o orçamento [...], o Governo procurou dramatizar a situação, convicto de que isso jogava a seu favor. A seguir ao “Telejornal” do dia 8 de Abril fiz uma comunicação ao País através da televisão. Denunciei as alterações introduzidas na proposta do orçamento apresentado pelo Governo, as quais se traduziam em despesas públicas desnecessárias, aumento do consumo e benefícios para grupos que não eram os mais desfavorecidos da sociedade portuguesa. Procurei mostrar aos Portugueses como era errado e socialmente injusto forçar o Governo a decretar do preço da gasolina, uma clara interferência da Assembleia na área da competência do Executivo, que ainda nunca antes tinha sido feita. Para tornear as dificuldades criadas e para os que objectivos de progresso propostos pelo Governo pudessem ser ainda alcançados, anunciei na televisão um conjunto de medidas compensatórias visando, principalmente, contrariar o excesso de despesa e de consumo induzido pelas alterações feitas pela oposição. O meu objectivo, ao falar ao País sobre o orçamento, era também o de passar a mensagem de que o Governo atribuía grande importância ao rigor na gestão dos dinheiros públicos.

A mensagem de que a Assembleia obstruía sistematicamente a acção do Governo passou para a opinião pública. O Governo, sendo minoritário, surgia como a vítima e acumulava capital de queixa: queria resolver os problemas do País e a oposição não deixava. A oposição não percebeu que, tendo o Governo conseguido evidenciar uma forte dinâmica e eficácia na sua acção, a obstrução ao seu trabalho não a beneficiava. O PS revelava dificuldade em ultrapassar os ressentimentos pelo desaire sofrido nas eleições de Outubro de 1985 e o seu comportamento surgia-me como algo irracional. O Governo e o PSD procuravam tirar partido da situação e alertavam a opinião pública para as estranhas convergências entre o PS e o PCP na Assembleia da República.’
Aníbal Cavaco Silva, "Autobiografia Política. Vol. I" (Temas e Debates, 2002, pp.144-145)

quinta-feira, dezembro 24, 2009  

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