13 julho 2013

A clutch de Olympia Le-Tan



Tilda Swindon por Matthew Frost

Às 23 h, Carlito Azevedo publicou uma estranha foto de Tilda Swinton . Tilda está sentada num sofá vermelho, debaixo de um quadro que talvez retrate uma mesa de mármore comprida como a que era usada para as necrópsias. De lábios finos entreabertos, a sua cabeça tomba para o lado em pose de carmelita deliquescente. Carlito, inspirado poeta brasileiro e editor da revista Inimigo Rumor, chamou a atenção para as mãos, o estranho livro que elas seguram e o pequeno crucifixo que cai lateralmente do pescoço, lânguido. Três horas depois Henrique Dídimo havia de notar que o “livro está oco, é uma caixa vazia como a pessoa, que rebobina com os olhos a ação que não valeu. No fundo do livro, digo, da caixa VHS, uma estampa floral, quase papel de parede. Mas onde está o filme? Na fita, na tela? Não. O filme, a gente guarda (e edita) é na mente”.
Dídimo não se refere apenas à foto de Tilda, mas aos dois versos de Valsa Brasileira, uma canção de 2:59 mins. de Edu Lobo e Chico Buarque, que Carlito pôs em destaque conjuntamente com a foto:

Eu descartava os dias em que não te vi
como de um filme a ação que não valeu.

Nessa altura, já 55 pessoas gostavam disto. Pasolini, Teorema, Chico Buarque, Tilda Swindon. Uma floresta de referências contraditórias. Foi quando Kamille Viola, uma garota do Rio de Janeiro, numa relação com Giberto Porcidónio, exclamou:

- Porra, Chico.

Porra, Carlito. A convocatória do poeta brasileiro era mais ampla. Tilda Swindon fora fotografada por Matthew Frost para Olympia Le-Tan, uma designer de moda que expôs o ano passado em Florença,no Pitti. O livro que segura, é de facto uma clutch, obra de Olympia e produzida em edições muito restritas. A sua pose recria e homenageia Silvana Mangano, a actriz italiana de Teorema.
Então, cinco minutos depois das 23h, a Tinta-da-China digitalizou a página da revista Ler, onde se anuncia a nova colecção de poesia que Pedro Mexia coordena e que, como se sabe, abriu com o livro de Rosa Oliveira e a colectânea de João Vário compilada por Osvaldo Silvestre.
E Yara Kono, do Planeta Tangerina, actualmente envolvida na promoção dos óculos Paulino Spectacles, postou a belíssima capa do álbum Felicidário, onde nos assegura que

A Felicidade é Ver um Golfinho.

Coincidentemente, a Los Angeles Review of Books (LARB) dava destaque ao livro de Peter Sloterdijk intitulado

You Must Change Your Life

A tradução inglesa é recente, e a autora garante que Sloterdijk é o mais erudito dos escritores vivos.
Na mesma altura, ou assim pareceu, Duarte Belo revelou 32 fotos de um conjunto a que chamou
A Torre,
não a torre babilónica das Cidades Obscuras de Schuiten e Peeters, mas uma torre que não chegou a levantar-se, uma sucessão de andares de betão que lembram as duas torres torturadas de 14 e 16,5 metros que Anselm Kiefer instalou, há seis anos, no Annenberg Courtyard da Royal Academy of Arts, em Picadilly.
Quase em simultâneo, The Art Institute of Chicago publicitou a

exposição sobre Impressionismo e Moda

que estará patente até 22 de Setembro, mesmo a tempo de ser visitada por Carla e Rui Nelson, que, sempre atentos, fizeram like.
Por essa altura, já The Anonymous Art of Revolution tinha dado à estampa mais uma inquietante máscara de Guy Fawkes a favor da Liberdade de Expressão, que
Baby, doa o que doer, e dói muito, NÃO é negociável.

E o fotógrafo de rua de alta-costura que se identifica como Sartorialist registou, no Marais, duas mulheres perfeitas, uma de meias altas e tranças e outra de botas e casaco vermelho curto. Tão perfeitas, que
fazem suspeitar de prévia encenação.

Daniel Blaufuks anunciou um novo livro e foi nessa altura que Kamille Viola, no Rio, aceitou o pedido de amizade e foi solicitado que escrevesse na sua página, o que fiz sem demora. Na sequência de tudo isto, eram 23:17 h, a UNICEF surpreendeu-nos mais uma vez no seu delírio lactogénico, publicando uma foto úbero-pornográfica em apelo ao aleitamento materno até aos dois anos, pelo menos.

A papelaria Madalena e mais sete, gostaram.
E alguém, redentor, no que resta da Assírio Alvim, lembrou-se de pôr no ar a edição de 2002 de Lágrima, de Helder Moura Pereira, com uma capa azul de Ilda David.
Porra, Chico. Pára com isso, pára de mostrar


fantasias úteis ao fulminante coração.



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1 Comentários:

Blogger alexandra g. disse...

André Bonirre, diz-me lá, às vezes não te apetece também esmifrar o Luís, atirá-lo ao ar, apanhá-lo antes que caia e atirá-lo outra vez para longe e ir a correr buscá-lo e oferecer-lhe gelado e tirar-lho a meio e pô-lo de novo a escrever coisas destas?

sábado, julho 13, 2013  

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