02 julho 2008

O barulho de noite

Acorda. É de noite. O pino da noite, a noite a prumo, a hora em que caçam as corujas, os homens velhos se levantam para mijar e escrever poemas, Elisabeth Costello adormece, sem afecto, sobre a mesa de Rayment. Ouve um barulho na noite da cidade. De vez em quando passa um carro e, embora seja Verão, é como se arrastasse a água das sarjetas. Mas há outro barulho. Que se torna distinto depois do carro passar. Um barulho mecânico, pulsado. Muito próximo, pode ser o sangue latejando nas têmporas. A harpa insuportável. A revolta doméstica dos aparelhos de cozinha, como nos contos infantis. Pode ser longe. Um ruído de soma. O sono das mulheres e dos homens nas suas camas. Um milhão de vezes a corrente de ar na árvore dos peitos, dezasseis a sessenta vezes por minuto. Adormece.

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