Enfim Isabela

Querem escrita feminina a sério? Tomem. Isabela Figueiredo, Caderno de Memórias Coloniais, editada pela Angelus Novus.
Logo nas primeiras páginas percebemos que estamos fodidos. Isabela não tem medo das palavras iniciadas por c. O seu livro começa mesmo pela cona das pretas em Lourenço Marques, nesses anos finais do Império tuga. Mas o livro não é erótico, nem o sexo que dele transpira dará ao leitor qualquer prazer.
O livro não tem similar na escrita em português contemporâneo. Uma mulher recorda o pai. E nós podemos ver esse homem, cheirá-lo, sentir-lhe a presença. O livro é sobre uma traição fundamental e sobre uma questão fundamental, que não revelarei aos possíveis leitores.
A edição de Angelus Novus faz uma opção discutível: incluir posts da autora num blog e uma entrevista. Na minha opinião os posts, um dos quais repugnante, quebram a unidade temática do livro e não lhe acrescentam nada. Tal como a entrevista. A Assírio ignorava tudo do registo biográfico dos autores. A Angelus Novus quer dizer-nos de mais.
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