07 julho 2010

Cacau, Germany



Hoje sou da Espanha, desse rapaz que guarda as redes e é como o dragão de S. Jorge quando resfolega. Hoje sou da Alemanha a equipa de meninos audaciosos e do treinador Armani. Sou do Xavi Alonso, do Xabi e do Iniesta a trocarem a bola entre as linhas adversárias. Sou do Bilha, el guaje, encostado à esquerda e com os dois pés apontado à baliza. Sou das crónicas do Molina no Babelia e do Javier Marias quando o descobri. Sou do país que acolheu Valdano, o sudaca. Sou dos cais de Hamburgo, da Floresta Negra, de Bremen, cidade livre do Norte da Alemanha. Sou do Cesc Fàbregas, nome de perfumes. Sou dos rapazes da Tunísia, da Turquia, do Brasil e do Gana que jogam sob o estandarte germânico e na hora patriótica fingem cantar o hino. Sou da Margarete Buber-Neumann, essa que foi prisioneira de Hitler e Stalin. Sou do Botho Strauss e do Siegfried Lenz, do Benedikt Taschen e do Manfred Eicher . Sou do Villa e do Vila-Matas, por supuesto.

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05 julho 2010

Ozil traz os olhos de Peter Lorre


Lotte Jacobi
Peter Lorre, 1930
© The Lotte Jacobi Archives, University of New Hampshire


A Alemanha tem um jogador com os olhos melancólicos de Peter Lorre. Quem viu o Falcão de Malta, ou Casablanca, percebe o que eu quero dizer. O rapaz chama-se Mesut Ozil. É fantástico. Como Lukas Podolsky, Lahm, Thomas Muller, Sami Kahdira ou Neuer, o guarda-redes com cara de bebé. Mas ninguém faz diagonais como ele, coloca a bola no espaço vazio para onde um colega se desmarca, remata inesperadamente. Em 1933, um actor judeu de 29 anos teve de fugir da Alemanha. Hoje os seus olhos brilham nos estádios . Boa sorte, Mesut Ozil.

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