11 maio 2007

Dois


Tintoretto

As peregrinações atraem gente das mais duvidosas proveniências: vendedores de imagens, negociantes de coletes reflectores, agentes de viagens, empresários da restauração, adeptos do jogging, padres, freiras, bispos, cardeais e até crentes. Hoje vi o entusiasmo dos podófilos. Os podófilos instalaram camiões em Fátima, pelo interessado prazer de acariciar, lavar, ungir, massajar, embalsamar os peregrinos pés. O presidente da União podófila declarou : -"Às vezes encontramos casos complicados. Sabe o que é que se sente quando se dão dois ou três passos com uma pedra no sapato. Agora imagine pessoas que fazem centenas de quilómetros assim".

(correcção a 15/05/07)

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Um


foto retirada de geracao-rasca


De manhã, nos bons dias Portugal, é possível ouvir falar com a insustentável ligeireza dos seres que acordam para o dia de trabalho. Ninguém ouve verdadeiramente nada. É o tempo do metrourologistas, dos que perguntam se se deve dizer preocupação ou perocupação para bem falar em português. E tempo dos médicos na televisão a venderem margarina , afinal um produto dietético.
A pequena manhã é o único período do dia em que me sinto atento, e em alguns momentos permeável à ilusão da inteligibilidade das coisas.
Aprendo bastante de manhã.
Esta manhã, por exemplo aprendi que a Catarina Furtado foi das primeiras pessoas a acreditar nos três pastorinhos.

ver: Fátima, domingo na RTP1

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