13 julho 2009

X.

Um menino morre um avô percebe que se alterou a lei simples que o poupava à inenarrável tortura das despedidas o que partiu é só uma máscara pálida e impassível desfilam amigos sem palavras nem consolo as mulheres vêem talvez o horror da morte precoce dos seus filhos uma igreja abre uma capela lateral ao pequeno caixão um pai de joelhos abraça um corpo que já não aquece que em breve iremos furtar aos vermes da terra para que o menino fique só espírito recordação fala riso nas nossas memórias no fardo das nossas vidas recompostas.

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01 agosto 2007

Obituário singelo e patético


Jeff Wall


Há conforto na velhice e alívio na morte. Dizem os jovens.
A juventude é ociosa. Disse o poeta antes de ir para a Abissínea. Eu digo que é ociosa e cruel.
No Mês Em Que Morreram Os Directores de Cinema este blog transformou-se num obituário.
O Obituário é, na imprensa de referência, do Independent ao El País, uma das secções mais interessantes dos jornais. Tem excesso de gravidade, concordo. Pensamos sempre que não demos, em vida, o valor que aquele morto merecia. Alguns jornais têm rubricas a que chamam perfil, onde resumem o CV de personagens de destaque. Mas não é a mesma coisa. Achamos sempre que se trata de uma moda, de um broche dos jornalistas. Não acreditamos completamente. Só a morte dá sentido a uma biografia.
A juventude não gosta dos velhos nem da morte. Os velhos cheiram à morte, sobretudo se são pobres. A morte é o verdadeiro interdito no Ocidente. As crianças, como se sabe, são mal educadas longe da morte. Os mortos, um dia estão vivos e no outro estão no céu, ou no silêncio das famílias. É de mau gosto falar nos mortos. Atrás dos mortos só de roda-morta
A morte não é obrigatoriamente uma coisa má. A velhice é uma coisa má. A morte é a coisa boa que acontece no fim da coisa má que é a velhice.Morrer é preciso. Envelhecer não é preciso.
Eu aqui não faço outra coisa senão singelas e patéticas homenagens a alguns mortos. Hoje outro. Ontem um.

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