18 outubro 2010

Estão a encher-vos de medo.
Que a vida pim sem eles era impossível
Que o mundo pum não ia perdoar
Que o embaixador da França zaz lhe puxou pela manga
E sussurrou parbleu o orçamento
Qual orçamento
Tem de passar claro absolument.

Estão a paralisar-vos com o medo
Que os comentadores chutt a toda a hora
Em doses letais pof vos injectam
Estais quase mortos plim mas a seguir
É que vos vai faltar calor e agasalho
E o pão balalão vai minguar

Encharcados de medo
Paralisados flop pela aranha de turno
Tudo esperais traz e mudos aceitais
A miséria catrapaz e a estúpida vida
Que é a sorte que essa gente
Vos destina

E é então pum quando tudo parece
Para mais mil vrrum anos resolvido
Que o Rui chegou e sabia ainda a fórmula
Que assustava os ratos na esplanada
E dos carros topo de gama encurralados
A gasolina ou o mijo já escorria

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19 fevereiro 2008

2008


Fiona Banner, Nude beam

A vida começou a piorar
em mil novecentos e noventa e seis
e está quase a ficar insuportável de manhã
há demasiados carros e são todos
grandes potentes derramando
o fuel e mudando incessantemente
de fila
os lugares estão todos
preenchidos
os rapazes das cheias de mil novecentos
e sesssenta e sete
vieram contar como conheceram o povo
nesses idos estava o povo morto
desfigurado à espera de ser enterrado pelas mãos
sensíveis
dos jovens que tinham descoberto
staline e o concílio vaticano segundo e enquanto
agora se lembravam chovia
sobre os pobres de sacavém enchia-se
de lodo Sacavém
agora está quase tudo a piorar e são
tão poucos os que recusam
o modo funcionário de viver
tão sozinhos em sítios que nem sei
tão longe do vosso fogo
de artifício da vossa agenda dos eventos setas
a subir
a semana correu bem está tudo
mais pesado mais agreste os parques
são todos bragaparques

ainda gostam de mim por razões obscuras
quase todos alguns de menor idade
quase todas

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