Era o Eixo do Mal
Passei uns meses sem paciência para O Eixo do Mal. Ontem, a acédia apanhou-me de novo frente à pantalha. Eu sabia que a longa convivencia torna os casais parecidos e que nas famílias de obesos até o cão engorda. Mas como as coisas mudaram naquela mesa. O senhor de cabeça rapada que era suposto representar as posições de direita, está agora no centro-esquerda. O Daniel Oliveira perdeu o sentido de humor que nunca teve e acentuou um discurso de responsabilidade e indignação exaltada, onde o alvo eram os jornalistas. Parece que estes tinham enlameado uma Comissão de Ética que a Assembleia reuniu para diversão. A Clara é sempre a Clara. A dura realidade matou-lhe o surto de esperança que a todo o mortal é consentido. E o Luís Pedro Nunes estava sem piada e quase tão indignado como o Daniel. O manto cinzento da ideologia respeitável caiu como bolor, como verdete, sobre os ex-malvados, agora já tudo gente engravatada.
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