25 novembro 2009

SE NUMA NOITE DE INVERNO UM VIAJANTE

05 novembro 2009

7/11/2009, 22:15 Estação Coimbra A - 22:45 Estação Coimbra B - 23:00-4:00 Oficinas da CP




O viajante

O viajante é um projecto multidisciplinar, centrado no cruzamento de diversas leituras fotográficas de um romance de Italo Calvino, Se Numa Noite de Inverno Um Viajante. Nele, Calvino propõe construir um romance a partir de diferentes começos, fragmentos narrativos que conduzem o leitor a lugares distintos, construindo tipologias que organiza segundo categorias que funcionam numa lógica simbólica e interpretativa que vai da névoa, da atmosfera ao apocalipse.

A viagem é um tema eminentemente fotográfico e o fotógrafo tem sido, desde o início, um viajante, um observador e uma testemunha. Alguém que se desloca e ao deslocar-se altera o seu ponto de vista. As fotografias resultantes são fragmentos, vistas parciais, possibilidades de ponto de vista que nos dizem do lugar do fotógrafo e do que tinha em frente; não nos dizem nada. Mas são todas potenciais narrativos e por isso, quando se cruzam com o espectador, dizem tudo. Esta ambiguidade, que a natureza da fotografia lhe empresta, torna-a num instrumento privilegiado para pensar a nossa relação com o mundo, e construir a nossa própria narrativa. Tal como a pintura, a fotografia é una cosa mentale.

O que se apresenta é uma rede organizada a partir de um conjunto de pontos de vista de diferentes observadores-leitores-fotógrafos construídos a partir das possibilidades narrativas propostas por Calvino e esta rede é tecida a partir de leituras deste núcleo inicial envolvendo diversas práticas artísticas da palavra à escrita, do som à performance, da pintura ao vídeo.

O viajante é uma experiência colectiva proposta aos sentidos do leitor-espectador. Não por acaso, o romance começa numa estação de caminho de ferro…

Francisco Feio

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03 novembro 2009

Coimbra Z

Coimbra Z





Se numa noite de inverno um viajante leva-nos por uma história que é uma viagem sem fim. Nenhum dos dez romances que a personagem do Leitor, com letra maiúscula, começa a ler, tem fim. Nunca consegue ir além das primeiras páginas. Ou porque o volume tem defeito, ou porque aquele é o único excerto da obra que se conhece… nunca chega ao fim.
A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y
Esses percalços são também uma forma de desmascarar as tramas que se acumulam por detrás de complexas maquinações editoriais. Desorganização de empresas livreiras, burlas de tradutores, redes de espionagem e contra-espionagem, malfeitores, falsários.
E, no entanto, o Leitor, com letra maiúscula, lá se vai movendo por entre as mais surpreendentes maquinações, com um entusiasmo que, diga-se, é cada vez maior.
Nunca consegue esclarecer totalmente a trama, mas não desiste. Quando o livro está quase a terminar, faz-se até uma apologia dos romances que concentram toda a sua energia no início, em sucessivos inícios, sem deixarem nada para depois.
O romance tradicional, com princípio, meio e fim, acabou.
T A V G
O gosto da leitura, esse, permanece, inabalável.
O gosto da pequena história, que não se sabe nem como vai acabar, nem sequer se vai acabar.
O ímpeto vital, aquele ímpeto que leva o Leitor, com letra maiúscula, a perseguir um bocadinho de romance, e mais outro, como quem persegue uma Leitora que se chama Ludmila.
Fragmentos, pedaços de vida.
A automotora parte, mas a viagem não continua, ou continua noutro lugar. Em sucessivos troços.
C D E F G H I J K L M N O P K R S T U V X W
O gosto da pequena viagem, que não se sabe nem como vai acabar, nem sequer se vai acabar.
O ímpeto vital, aquele ímpeto que leva o Viajante a perseguir um bocadinho de trajecto, e mais outro, como quem persegue um alfabeto que concentra toda a sua energia no início, em sucessivos inícios, sem deixar nada para depois, e ao qual faltam muitas letras.

Rita Marnoto

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18 outubro 2009

(Se numa noite de) BLACK SUN

Black Sun - Boialvo + Lisbon Winter Blues

BLACK SUN

BOIALVO | Vídeos do MySpace


"Inspirado pela leitura de Lawrence Durrell no sul de França (Aix-en-Provence) e pelas fotografias do Lee Friedlander,"

Francisco Rúbio

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13 outubro 2009

Catálogo de estilos

"Cada vida é uma enciclopédia, uma biblioteca, um inventário de objectos, um catálogo de estilos, onde tudo pode ser continuamente remexido e reordenado de todas as maneiras possíveis." (Multiplicidade, Seis propostas para o próximo milénio, Italo Calvino)



Sons:
viagem sensações confusas - ronca de nevoeiro
v. carnal - insuficiencia da aorta
v. introspectiva simbolica - spray
v. nostalgico rev. - caranguejo e foguete
v. cinico-brutal - sonar
v. manias obs. - motor
v. logico geom. - contador geiger
v. erotico perv. - melro e tigre
v. telurico prim. - lava
v. apocal. alegorica - tremor terra

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