02 agosto 2009

Madame Chauchat


Lotte Jacobi

Hans Castorp sai da consulta com o pesado diagnóstico de TP e, à falta de tuberculostáticos, a prescrição inicial de repouso no leito. Estamos na p.203 da edição de A Montanha Mágica traduzida por Gilda Lopes Encarnação (Publicações Dom Quixote, 2009). Da p.203 à p.234 o rapaz de Hamburgo, de lá-de-baixo, da planície, que só fôra a Davos para visitar o primo, fica retido no quarto. Tem poucas visitas. Joachim, com quem partilha agora a doença, que não a gravidade. Uma enfermeira. O médico auxiliar. E Settembrini, o humanista. O tempo passa. Um tempo estranho, pautado pelas rotinas médicas, o repouso, os tratamentos, as refeições, a meteorologia caprichosa da montanha. Três semanas de descanso “no dormitório”- sentenciara, inapelável o conselheiro Behrens. E o tempo corre “em consonância com as leis por que se regem o narrador e o leitor”. Estranho narrador. Como se explica que durante as 21 páginas com que descreve as semanas de reclusão do jovem Castorp não haja uma menção, uma alusão sequer à mulher que se senta na mesa dos russos bons, que faz bater a porta envidraçada da sala de jantar, que, na última refeição em comum, “como ele recordaria mais tarde, trazia um sweater amarelo dourado com botões grandes e bolsos debruados” ? Não se ouve o nome dela. Joachim, reservado, nunca a refere. Nem Hans Castorp se atreve a perguntar. Como é que nós sabemos? Que poderosa intuição foi em nós despertada? Com que meios? Por que formas? Como é que sentimos que ele não deixa de pensar nela. Que “a imagem dela não lhe sai do pensamento”.

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12 julho 2009

Uma necessidade absoluta


Germaine Krull


Ele tinha uma necessidade absoluta de requinte. (p 165)

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Libertar-se da Honra


Annelise Kretschmer


E foi nesse instante que se sentiu de novo invadido, da cabeça aos pés, por aquela tumultuosa sensação de doçura que o assaltara quando, à laia de experiência, tentara libertar-se do peso da honra e se entregara aos méritos insondáveis da vergonha.
(p. 110)

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O que já não precisa de fazer nada


Annelise Kretschmer



Sinto-me como aquele aluno de liceu que deixou de ser alvo de perguntas e que já não precisa de fazer nada porque os professores decidiram que irá reprovar. (p. 98)

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A porta que bate estrondosamente


Helmar Lerski

Dois episódios ocorreram durante a hora do almoço que chamaram a atenção de Hans Castorp, na medida em que o seu estado o permitia.
O primeiro teve a ver com a porta envidraçada que de novo bateu estrondosamente - estava-se no prato de peixe. (p.93)

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28 junho 2009

Ela assobiou!


J Craig Annan




Uma rapariga de sweater verde, penteado desalinhado e olhos semicerrados, com uma expressão algo tola, passou rente a Hans Castrop, tocando-lhe quase com o braço. E, nesse momento, ele ouviu um assobio...
P 64

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Sweaters como lhes chamavam


Lotte Jacobi

Quase todas as mulheres vestiam casacos curtos muito justos de lã ou de seda, brancos ou às cores, sweaters como lhes chamavam, com as golas viradas para fora e bolsos dos dois lados.
P 59

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Deixe-se de fitas


Rrose Sélavy,
(M. Duchamp como Rrose Sélavy, fotografado por Man Ray)



Um daqueles que no momento derradeiro se lembra de fazer uma cena medonha e se recusa a morrer. Foi então que Behrens (o médico-chefe) o admoestou: “ Queira fazer o favor de se deixar de fitas!”, foram as suas palavras, ao que o moribundo imediatamente obedeceu, vindo a morrer em paz absoluta
p 70

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Tous les deux


Lotte Jacobi ,O livro de Peter Lorre


Se tentarmos meter conversa com ela a única coisa que diz é “Tous les deux!”, pois mais não sabe
p55

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Indolência


Francesca Woodman


Era de indolência que se queixava. “Sinto-me tão indolente!”, dizia num tom arrastado e com a afectação própria dos seres incultos.
P58

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O que ali jazia


Hugo Ball no Cabaret Voltaire, Zurique 1916



Eis o que era indecoroso e nem chegava a ser triste- como nem chegam a ser tristes as coisas que têm a ver com o corpo e única e exclusivamente com este.
P 40

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Consideração por si mesmo


Meret Oppenheim



Estava habituado a comer muito, mesmo quando não tinha fome. Era uma questão de consideração por si mesmo.
p. 25

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