02 março 2009

Pê-yes mais Forte: Siemens quer contribuir para um Portugal mais Forte (mas afinal não a deixam...)

[lido aqui: "A Siemens quer contribuir para um Portugal mais Forte, aumentando o valor acrescentado do País no mundo. Participamos nos três eixos do plano tecnológico: no eixo do Conhecimento, (bla bla bla); no eixo da Tecnologia, (bla bla bla); no eixo da Inovação, com a promoção da sua sistemática a nível interno (pê-yes pê-yes pê-yes) e a nível externo, (bla bla bla)"]

[lido aqui: Ministério da Saúde lançou concurso público que exclui empresas portuguesas]

[relido aqui: Ministério da Saúde recua em concurso que excluía empresas portuguesas]

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01 março 2009

É a fluoxetina, estúpido


Candida Höfer


Santos Silva, o Martins da esquerda, Ana Gomes, Vitorino, o irmão do gajo da SIC, e as tias Estrela e de Belém, todos e todas escorriam uma doce felicidade pelos cantos da boca. Uma grande paz interior, ou como diz o treinador, uma grande serenidade. É o Prozac do poder, essa droga.

Um dia veremos as salas de uma sede vazia, alguns rapazes que não leram o guião insistindo nos corredores, uns jornalistas esperando pelas declarações do líder que nunca mais desce, uma camionete de Aguiar da Beira perdida no Altis e uns camponeses desfraldando bandeiras. Um dia a festa será ao lado, tão vazia como esta, tão inútil como esta.

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É isto um socialista


Tracey Moffatt, Adventure serie V

Ouviu o seu nome da boca do líder, levantou-se da cadeira, apertou o botão do casaco. Tinha uma camisa às riscas da Fashion Clinic. Subiu a escada em passo rápido, quase a correr. A mesma música vangelica que os spin doctors do Guterres introduziram nas Assembleias do povo socialista e ficou para durar até que os spin doctors considerem extinto o condicionamento que põe o povo a salivar o contentamento e o orgulho de ser socialista. Subiu ágil as escadas do palco. Abraçou o líder. Um abraço que começou ao nível do foi-porreiro-pá e se demorou ao nível do vai-ser-porreiro pá. A câmara, instruída, focava a Velha Raposa em rictus de comoção comovida . Ele dirigiu-se em passadas elásticas para a Velha Raposa e deu-lhe um segundo abraço. O abraço do afilhado de sangue. Quando cessaram os acordes vangélicos o povo gritou Pê-yes, Pê-yes. Ele repetiu, um pouco constrangido: - Pê-yes, Pê-yes. Mas a coisa não saíu, não rimava. Levantou as mãos pedindo silêncio e leu duas folhas incompreensíveis, mas de esquerda, de esquerda certamente.

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