03 novembro 2007

Au Parc (Rien)


Gyula Halasz, dit Brassaï (1899-1984)



Même soleil d’hiver, même bruit de brindille
Le bout des doigts glacés, le givre sur les grilles
Mêmes odeurs d’humus, la terre qui se terre
Tout y sera, tout y sera
A part toi
Parc de la pépinière, fin de semaine
Encore une heure, encore une heure à peine
Encore une heure de jour et la nuit vient
Même température, le mercure à zéro
Même mélancolie fauve aux portillons du zoo
Mêmes parents pressés, leurs enfants en manteau
Tout y sera, tout y sera
A part toi
Parc de la pépinière, fin de semaine
Encore une heure, encore une heure à peine
Encore une heure de jour et la nuit vient
J’aurai beau décalquer, refaire les mêmes parcours
Reprendre les mêmes allées aux mêmes heures du jour
J’aurai beau être la même
J’aurai beau être belle
Tout y sera, tout y sera
A part toi
Parc de la pépinière, fin de semaine
Encore une heure, encore une heure à peine
Encore une heure de jour et la nuit vient
Et puis,
Rien

em Les Chansons d'Amour, interpretada por Chiara Mastroianni

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21 outubro 2007

Louis Garrel, um rapaz do Mal



Caminhando ao longo das ruas do 10 ème, com a Porta de Saint Martin por fundo, ou no espaço que vai do cemitério de Montparnasse aos Jardins do Luxemburgo, ou trágica no Boulevard Saint Michel, a face de judeu palestiniano com a camisola bretã ou a roupa Agnès B, Louis Garrel é agora a face de Paris, Cidade Amável, onde uma nova geração escreve uma história que avança com canções. Há uma morte inesperada que desliza, à porta de um clube, e ele soluça em silêncio, enquanto, na frequência da polícia, ouvimos o código que a anuncia, delta charlie delta. Há uma mulher, Clotilde Hesme, que quis ser a ponte entre o amor deles, o lugar onde se pudessem abraçar. Há os rapazes bretões, de nomes impossíveis. Há os velhos da geração anterior, os pais soixante-huitards, que tal como no filme de Julie Delpy são retratados como dementes, alcoolizados e irresponsáveis, e os de uma idade intermédia, a de Chiara Mastroianni, todos tentando perceber, ainda e sempre tentando perceber. Não há nada para perceber na Paris de Louis Garrel. Os céus de Paris, a Porta de Saint Martin, o génio da Praça da Bastilha, os Jardim do Luxemburgo já viram tudo. É só mais um minuto e depois nada.

O filme Les Chansons d’amour é uma iluminação. Redime-nos do cinema americano, das salas vazias da Lusomundo e das pipocas. Dá-nos a força e a ligeireza para os nossos dias. Eu não estou disposto sequer para a contabilidade das estrelas, o pequeno poder dos críticos-que-não-gostam-de-cinema. Só queria agradecer, fixar os nomes de Christophe Honoré, Alex Beaupain, Ludivine Sagnier, e claro de Clotilde Hesme e Chiara Mastroianni e inscrever definitivamente o nome de Louis Garrel como o de um rapaz do Mal.

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