04 setembro 2008
31 março 2008
12 fevereiro 2008
A morte por outros motivos

Vee Speers
O médico que de manhã
entre o tempo e o trânsito
nos esclarece sobre
os estudos que
demonstram que
claramente que
o médico de gravata e aquele
ar seguro de quem chegou
ao volante de um carro
que confirma que
os estudos que
claramente que
tem hoje dois minutos
para falar sobre a dilatação
sacular das pequenas artérias
cerebrais
felizmente silenciosas
diz o médico apoiado
em estudos que
silenciosas até que um dia
e o médico diz então a frase imprevista que
havia de cair neste poema
a morte sim é possível
embora os estudos que
mostrem claramente que
a morte diz ele
A morte ocorre geralmente
por outros motivos
Etiquetas: morte, nada de nada
21 novembro 2007
Ginástica

Hiroshi Sugimoto
É melhor a ginástica que a poesia.
Não é precisa muita imaginação
Apenas o corpo entregue ao seu uso
intensivo a justa aceleração cardíaca
e por detrás o motor das células em rotação
excessiva procurando o dispendioso
combustível de alternância
Não é precisa muita imaginação
Apenas um plano de treino
Vinte minutos de corrida dez
de bicicleta
2x16 no LAT e o mesmo a seguir
no Pectoral e no curl e podem ser
mais no legs press
e a seguir o duche-
afinal o desporto é como a poesia.
Enquanto a água escorre sobre os olhos
prepara-se para a morte
o corpo (musculado).
(O generalista político Luís Delgado declarou que não lia poesia (pô-ê-zia) porque não tinha imaginação.)
Etiquetas: arte poética, ginásio, morte
21 outubro 2007
Louis Garrel, um rapaz do Mal

Caminhando ao longo das ruas do 10 ème, com a Porta de Saint Martin por fundo, ou no espaço que vai do cemitério de Montparnasse aos Jardins do Luxemburgo, ou trágica no Boulevard Saint Michel, a face de judeu palestiniano com a camisola bretã ou a roupa Agnès B, Louis Garrel é agora a face de Paris, Cidade Amável, onde uma nova geração escreve uma história que avança com canções. Há uma morte inesperada que desliza, à porta de um clube, e ele soluça em silêncio, enquanto, na frequência da polícia, ouvimos o código que a anuncia, delta charlie delta. Há uma mulher, Clotilde Hesme, que quis ser a ponte entre o amor deles, o lugar onde se pudessem abraçar. Há os rapazes bretões, de nomes impossíveis. Há os velhos da geração anterior, os pais soixante-huitards, que tal como no filme de Julie Delpy são retratados como dementes, alcoolizados e irresponsáveis, e os de uma idade intermédia, a de Chiara Mastroianni, todos tentando perceber, ainda e sempre tentando perceber. Não há nada para perceber na Paris de Louis Garrel. Os céus de Paris, a Porta de Saint Martin, o génio da Praça da Bastilha, os Jardim do Luxemburgo já viram tudo. É só mais um minuto e depois nada.
O filme Les Chansons d’amour é uma iluminação. Redime-nos do cinema americano, das salas vazias da Lusomundo e das pipocas. Dá-nos a força e a ligeireza para os nossos dias. Eu não estou disposto sequer para a contabilidade das estrelas, o pequeno poder dos críticos-que-não-gostam-de-cinema. Só queria agradecer, fixar os nomes de Christophe Honoré, Alex Beaupain, Ludivine Sagnier, e claro de Clotilde Hesme e Chiara Mastroianni e inscrever definitivamente o nome de Louis Garrel como o de um rapaz do Mal.
Etiquetas: filmes, morte, Paris, rapaz do Mal
11 setembro 2007
Faço de conta que nada sei
...e que ambos os arguidos são médicos e lidavam, por isso, com a morte no seu dia-a-dia.
controversa jurisprudência
controversa jurisprudência
Etiquetas: morte
11 julho 2007
Morte de Tobias

A esta hora Tobias agoniza, o cão de Bonirre. Conheci Tobias nos campos do Mondego, quando era um jovem cão, e percorria as valas em todas as direcções perseguindo as sombras das cegonhas. Acho que nunca me viu. Farejou à primeira a minha antipatia e não me dedicou um segundo de atenção. A esta hora Tobias está parado, arquejante, rafeiro. Posso ver o proto-self de Tobias aos pés do self- autobiográfico de Bonirre, enfraquecendo juntos.
05 março 2007
Um post para Alface
João Alfacinha da Silva, Alface, morreu.
O facto de ter morrido subitamente, no decurso de uma leitura de textos numa comunidade de leitores, deu azo a evocações emocionadas.Como as de Maria João Seixas, que tinha entrevistado Alface recentemente, ou Adelino Gomes.
A evocação de Manuel Portela no blog do TAGV transcreve dois mails de ocasião, datados Novembro e Dezembro de 2005. Que me lembre é a primeira vez que tal sucede. Guardarem dois mails em que dizemos coisas profundas como
Dizem que na morte dos outros vemos a nossa. Se é assim, eu queria ser lembrado pelos sms.
O facto de ter morrido subitamente, no decurso de uma leitura de textos numa comunidade de leitores, deu azo a evocações emocionadas.Como as de Maria João Seixas, que tinha entrevistado Alface recentemente, ou Adelino Gomes.
A evocação de Manuel Portela no blog do TAGV transcreve dois mails de ocasião, datados Novembro e Dezembro de 2005. Que me lembre é a primeira vez que tal sucede. Guardarem dois mails em que dizemos coisas profundas como
Atão, Manel, já leste ou não leste? E que opinas? Estou curioso, confesso. Apita. Um abraço.e publicarem-nos no dia do nosso passamento, é uma ideia que me agrada.
alface
Dizem que na morte dos outros vemos a nossa. Se é assim, eu queria ser lembrado pelos sms.


