15 maio 2010

Torre de Dona em Chamas




Vem nos jornais:aqui.e aqui. Em Torre de Dona Chama, Mirandela, uma professora dos Tempos Livres posou para o Playboy. A notícia animou a terra, mais conhecida por alheiras e histórias tristes que não vou lembrar mas que até talvez viessem a propósito. Atentíssima, a Câmara arquivou a professora . E a vereadora Gentil veio a público assegurar que a medida cautelar seria mantida.
O Expresso on line insere um bom texto sobre esta notícia e já se alinham comentários reveladores da confusão que vai no bom povo. De cada vez que alguém se despe em Torre de Dona Chama acorrem os movimentos cidadãos para arrefecer os corpos. Debaixo do manto hipócrita da tolerância está um magma sórdido, a sexualidade das profundidades, a sexualidade autárquica, a sexualidade do interior. Depois do cheque dentista era preciso, se o erário público o permitisse, o cheque-divã. Talvez assim Dona Gentil ardesse, nem que fosse com Bruna, no Arquivo.

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06 maio 2008

Ana Lopes, uma mulher do Mal




Ana Lopes, antropóloga, investigadora do CES,doutorada na Universidaded East Anglia, autora do livro Trabalhadoras do sexo, uni-vos!" (2006) foi trabalhadora sexual e esteve presente como convidada na sessão de hoje de Os Livros Ardem Mal.

No blog de uma prostituta o lançamento deste livro, há quase dois anos, propiciou este texto:

Estava lotado, e, apesar de estar cheio de gente, a sensação que eu tinha era de que a maior parte das pessoas ali presentes eram pessoas amigas. Encontrei com alguns amigos também por lá, foi muito divertido.
Fui no bar pegar uma bebida e voltei para o salão. Quando as pessoas estavam sentadas eu pude observar melhor o local, e não é fácil descrever em palavras as emoções que eu senti ali dentro. Eu conseguia observar meninas andando de um lado ao outro, outras sentadas em sofás, clientes chegando e elas indo ter com eles, a abordagem das conversas, as garrafas sendo abertas. Tudo isso, naturalmente, apenas parte da minha imaginação, por reconhecer naquele ambiente características ainda muito vivas de um bar de convívio, como se a alma de um bar de convívio não morresse.


O TAGV, que já não tem bar e cuja alma arde em fogo lento, teve Ana Lopes. Defendeu com convicção a necessidade de legalização da prostituição e as vantagens da organização sindical dos trabalhadores do sexo. O debate que mais me interessava ficou por fazer e, durante a sessão, percebi que não estava preparado para ele. Não era o local e faltava-me quase tudo, desde o ponto de vista das meninas ao dos clientes. Uma referência mais extensa à biografia da convidada poderia ter ajudado a separar a questão da prostituição, no contexto alargado da sexualidade, da questão mais consensual dos direitos humanos e laborais das prostitutas e dos prostitutos. Surpreendentemente, em alguns dos presentes, o tema desencadeou reacções inesperadas, pré linguísticas, do âmbito da filosofia do sexo. Ficou assim por explicar o que é que uma trabalhadora do sexo aprende sobre si própria nas linhas eróticas, na vara do streap tease, nos encontros sexuais de ocasião.

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