10 fevereiro 2010

Queremos Instrução Sexual nas Escolas.



André Bonirre aka CJ


Na semana passada os putos do Secundário manifestaram-se. Acho isso saudável. Manifestar faz parte da educação social de qualquer ser em crescimento. Independentemente da causa. Há sempre um bom motivo para uma manifestação- embora raramente os bons motivos sejam chamados à rua. Mas as grandes manifestações juvenis sem motivo, as queimas das fitas, as latadas e outras praxes, são tão enjoativas: recreação de sarjeta, como diria o que não nomearei. Ao pé dessas festas de cerveja e quins barreiros, coma alcoólico debaixo do olhar enlevado das família, a manifestação política reivindicativa é um sonho que redime o pesadelo. Os rapazes gritam e as raparigas sorriem ou vice versa, consoante a estação. E mesmo que seja sem causa, a sua rebeldia tem mais sentido que as nossas críticas bafientas. Na semana passada pediam Educação Sexual. Aí está uma coisa de que os putos do liceu deviam desistir. Quanto tempo demora a perceber que os adultos, os professores, os educadores em geral- se exceptuarmos o Superpsicosá, claro- não estão preparados? E se experimentássemos ao contrário: Eu alinho nessa. Ir para uma rua qualquer, um beco, uma avenida, e pedir aos trabalhadores do Secundário, por cartazes, palavras de ordem, declarações à imprensa, alguma Educação sexual. Nem que seja só informação. Ou instrução. Por algum lado se há-de começar.

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31 janeiro 2008

O swing


Tracey Emin

É preciso ser autista, auto-centrado ou completamente desprovido de imaginação para ter de convocar um terceiro quando se quer ver a mulher amada a foder com Outro.

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22 maio 2007

Sexo dental


Thomas Ruff

Não vejo nada erótico na exposição dentária. A luz excessiva, a abertura prolongada da articulação, a ameaça de dor, o som de alta frequência das brocas, o incómodo do aspirador, a humilhação do babete, o látex nos lábios, a impossibilidade de outra réplica que a da minha voz gutural. Desta vez o homem era simpático. Fez várias insinuações. Acho que ele gostava sobretudo das minhas mamas. E a mim não me repugnava o cotovelo dele. Fiz três tratamentos. Cem euros a sessão, com ajuste final. Saía de lá babando-me, e não era o babete o mais molhado. Pensava: como posso estar a pagar a um sujeito destes. E ainda: será que ele se concentra nos meus dentes ou no meu peito. Mas voltava sempre. A terceira sessão foi mais demorada. Ele pareceu muito aplicado no trabalho. O dente em que ele tocava era um dos meus melhores dentes. - Não me lembro de me doer - disse. - Estou só a limpar - respondeu. Pensei na tabela da limpeza. Mais trinta euros. - Mas não tem de limpar todos? A limpeza não é geral? – Já lhe mostro. Estava um sol lindíssimo a entrar no consultório, filtrado pela persiana. Eu olhava para a luz, para o braço articulado. E depois juntava os olhos e via-lhe os dedos, os pulsos, os braços peludos. Foi uma sessão puramente estomatológica. Só saúde oral. Nenhuma emoção. Nenhuma participação dos mamilos. O cabrão é dos que fogem no fim do tratamento, pensei. Tudo muito profissional. Foi só fantasia de mulher deitada na cadeira.

Bochechei. Limpei a boca. O homem aproximou-se com um espelho. Como fazem os cabeleireiros. Apeteceu-me dizer-lhe:- Corte mais. E não era bem essa cor que combinámos. – Sorria- pediu ele. Não me apetecia sorrir. Abro a boca, calo-me, deixo que me apalpe, pago, mas sorrir não me está a apetecer. Então, enquanto falava, vi no espelho um brilho que vinha de entre os lábios. Arreganhei os dentes. E vi o piercing no meu incisivo lateral. – Um pequeno diamante- disse o homem. Agora sou a amante de um dentista. Ele foi gentil. Não se cobrou da pedra, só do trabalho.

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