08 fevereiro 2009

Sinapismo Grego

A reunião da esquerda europeia em Lisboa, neste fim-de-semana, contou com uma organização grega chamada Sinapismo. Aqui está um nome que é todo um programa. Mostarda, farinha e vinagre. Eu militaria numa cataplasma assim. Na tendência farinha. Se fosse aceite, claro.

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Louçã

Louçã esteve muito bem no discurso à Convenção do Bloco. Ouvi na Antena 1 um brevíssimo resumo da sua intervenção. Ele dizia que quando chegar o dia de o BPN e o BPP devolverem os milhões de euros que o Estado agora lhes emprestou e não o fizerem, ele estará lá para exigir que paguem até ao último cêntimo. Se todos falassem assim não estaríamos a viver estes tempos de vergonha. Já na véspera da guerra do Iraque, quando os senhores da guerra se reuniram nos Açores, Louçã viajou sozinho para as Lages e foi das poucas vozes que se fizeram ouvir sob o ruído das botas de Bush e de Blair, na época acarinhados pelos senhoritos ibéricos. Agora ele foi feliz na formulação escolhida:- -Quiseram jogar no Casino e perderam. Nunca nos distribuíram os lucros, não nos obriguem a suportar os seus prejuízos.

Nota: Os convidados que os outros partidos da esquerda enviaram ao referido encontro eram Edite Estrela (PS) e Armindo Miranda (PC). Armindo Miranda tem a seguinte particularidade, que pude observar no site oficial da Comissão Política do PC. É que tendo todos os dirigentes sido fotografados a três quartos, ele também foi . Edite Estrela não tem particularidade nenhuma.

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10 setembro 2008

A esquerda (do Nebraska) e Palin



Os europeus não vão votar nas eleições americanas, grande injustiça. Mas aos que as comentam pede-se alguma contenção. Julguem Palin por aquilo que ela é. Se acham que o destino de um jovem urso é ser cadáver embalsamado a decorar gabinete, se gostam de crustáceos como centro de mesas, se acham que foi deus quem mandou fazer a guerra do Iraque e oleodutos no Alasca, se acham que devemos andar armados, rezar antes de um jogo de basquete e casar à pressa na adolescência para lavar as manchas do sexo penetrativo, assumam que gostam de Palin. Não tem mal gostar de Palin. Atrás de Palin há um urso esquartejado, um sofá e um vidro e por detrás do vidro há um ser humano e é Palin. Conheci Palin. Era a miúda que estava sempre na Comissão Central do Baile dos Finalistas, mesmo antes de sermos finalistas, que ia ao Curso de Verão dos jovens do Partido em Breve no Poder, que, quando fizemos greve às aulas, furou o piquete num carro da Guarda Nacional.
Há quem goste de mulheres assim. Com as mamas à frente e o cabelo apanhado atrás. Não é preciso encontrar não-razões para gostar de Palin. Os comentadores que não têm coragem de gostar de Palin por aquilo que ela é, no entanto, sentiram imenso alívio porque um blogger de Forth Pierre, South Dakota, um desesperado como eu, de esquerda, claro, disse que ela não-sei-quê, coisa infame. E também houve um jornalista de Rushville, Nebraska, de esquerda, claro. Estavam assim à vontade para gostar de Palin. Perante dislates desses, da esquerda, sopraram para o lado dos ventos republicanos. Não importa que digam que Obama é secretamente muçulmano, jurou sobre o Corão e, quando canta o hino não põe bem a mão no coração. Não importa que digam que ele é o Anticristo, ou que digam que não é o Anticristo porque é preto e lendo a Bíblia, não consta que o Anticristo seja preto. Isso foi a direita que escreveu e disse e pôs a correr. A direita pode dizer o que quiser. Os comentadores sérios desculpam tudo, porque a direita é mais ou menos irresponsável. Agora a esquerda. Quer dizer o blogger de South Dakota. Imperdoável. O que a esquerda disse é imperdoável. Podemos gostar da Palin à vontade. Uma vítima, a Palin. Os comentadores sérios fecham os olhos ao urso e ao crustáceo e preparam-se para explicar o fenómeno Palin, uma mulher americana, a encarnação do novo paradigma, dos tempos que estão a mudar, ah, agora a mudar para o lado certo.

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28 julho 2007

Alegre e o medo


Boltansky

A tentativa de desvalorização da declaração de Alegre sobre as liberdades é sintomática. Na blogosfera que percorro, quase ninguém aborda o tema sem o cuidado de se demarcar de Alegre e do alegrismo (seja lá isso o que for). Lembra o tempo das conotações que para os que não sabem foi o período entre os cartuxos e as cassetes. Alegre fez o que tinha a fazer. Citou Cesariny a propósito. Citar a propósito é uma virtude, para que os iconoclastas não surjam nas lapelas do poder. Alegre dirige-se para o PS? Pois é precisamente para aí que se deve dirigir. Disse pouco? Disse mais que os outros. Disse o que Martins, Belém, o boquinhas Vitorino, os históricos, o Arons, o Sérgio, o Costa, os cem deputados do PS, as bandeiras vivas da liberdade e os paus de bandeira têm calado.
Há medo. Medo nas repartições, medo nos jornais, medo nas ruas, medo na blogosfera. Alguém disse, justamente, que o programa político de destruição do Estado providência não se faria sem a destruição das liberdades. A criação de um clima intimidatório é necessária às reformas que se seguem: menos saúde, menos segurança social, menos apoio aos desprotegidos, mais empregos a 5 euros a hora, mais empregos de call-center, de semi-escravidão.
Júdice e outros teorizam sobre a extinção da direita partidária e, inacreditávelmente, Rui Tavares faz contas aritméticas para demonstrar a vitória da "esquerda". Mas escondem ou esquecem o que se mete pelos olhos dentro: O PS executa o programa da direita, o PS de Sócrates é a direita, com a máscara inefável da namorada, mas com a frieza, a arrogância, a determinação e a insensibilidade da direita.

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