25 maio 2008

Um antibiótico para o síndrome gripal

Experimentem estar quinze dias sem ver televisão nem ler jornais. É bom, faz bem à saúde, torna-nos pessoas melhores. Ontem voltei à doença. Vi a excitante competição para a liderança do PSD, o comovente acolhimento que Viseu está a dar à selecção de todos nós, as ameaças da ASAE aos santos populares, o relatório bariártrico da Direcção Geral de Saúde, com o Dr. Francisco George a garantir “o aumento da produção” e da necessária comparticipação estatal, o Infarmed a alertar a população contra a henna negra e a aconselhar a henna natural, a Carla Bruni a passar revista às tropas antes da visita a Angola, já de meia- idade Max Mara e despida de direitos humanos. E vi o nosso Sócrates, que tinha ido às Urgências do Santo António com o não-sei-quantos que “tinha pedra nos rins” e ele doente, mas felizmente só com “um síndrome gripal” para o qual forareconfortado “com um antibiótico”. Deram-lhe “um antibiótico” para “o síndrome gripal” e ele não apenas gostou como achou que tínhamos de saber. Oh George, oh Infarmed, oh Ministra da Saúde, oh Grupo de Missão para os Cuidados Primários de Saúde, oh Comissão das Boas Práticas do Hospital de Santo António, oh Reestruturação das Urgências.

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20 setembro 2007

Coimbra não vai ter


Matta-Clark, Gordon



Vergonha. E um dejecto no meio da cidade. Um esquife de cimento e tijolos. Uma ferida de que ninguém sangra. O que resta de um bombardeamento silencioso, um sismo, uma inundação. Coimbra não vai ter. Todos os dias, ao passar pela circular, não posso deixar de olhar para as gruas que assinalam o perímetro do cemitério. Já tive uma voz que me secou. Já cresceram as crianças, os adolescentes já fizeram o circuito dos Festivais e agora são precários sem causa. Já os pais envelheceram. Já o gerente do banco construiu no alto da colina. Já abriram estádios e fóruns dedicados ao pagode, à obesidade e ao endividamento das famílias. Já alguns gauleiters trocaram de lugar. O Malfeitor já foi e já veio, já nos comeu de frente e dos lados, rosáceo, inchado, pesporrento. Todos calámos, complacentes. Alguns gostaram. Há sempre quem cresça no lodo e na indemnização. Na vergonha que a cidade não vai ter.

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11 junho 2007

Lerda Bloga

Ana, quase ninguém lê blogs. Assim os malfeitores prosperam.

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