FMI (II)

Ao contrário do que o defuminado Vital Moreira acreditava, a crise não era uma invenção dos jornalistas desatentos à retoma e o FMI entrou em Portugal pela mão doridas do partido socialista. Fui ver as reacções dos socialistas de esquerda: era inevitável disse um, e os outros em seguida, em uníssono e depois do chefe. Vivam os direitos dos transexuais, disseram os coleguinhas do Jugular. Como se não fosse o dia em que os direitos dos transsexuais ao trabalho, à saúde, à educação, à reforma e à esperança na vida tivesse recebido grave ofensa na terra ( e algum consolo no céu).
Aí temos então as medidas terapêuticas. Sem que se tivesse feito o diagnóstico. Pelas mãos dos presumíveis patogénicos ou dos seus vectores ( inevitáveis). Sem prognóstico. Como se dissessem a um doente: - Não sabemos bem o que te provocou este mal-estar. Vais tomar os nossos medicamentos e adoecer ainda mais. Se cumprires as receitas, ao fim de um tempo indeterminado, talvez fiques como estás agora.
Sinto, no meu corpo, vestígios de uma substância proibida. Rui, se a cozinha dos teus pais ainda estiver preparada, eu arranjo a gasolina, tu as garrafas e a tua mãe que comece a preparar os pavios.
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