06 julho 2009

No tempo dos Rublos e Agitadores A Soldo



(continuação)

Fechada no seu quarto, sem nenhuma companhia, como numa prisão, Ana vira através das persianas os dois lacaios passarem lá em baixo no caminho da horta, levando o corpo inerte de Francisco.

- Ai, que mataram o meu amor! - murmurou ela.
Caíu sem sentidos; e ali ficou sòzinha...

Assim se passavam as coisas quando o diabo da maçonaria começou a andar à solta na terra santa de Portugal.

(fim)

A SEGUIR:

HISTÓRIA DO REI DOM MIGUEL I

Etiquetas: ,

05 julho 2009

No tempo dos Malditos Os Que Cospem Nas Santinhas



(continuação)

Havia sete séculos que o povo nascera à sombra da cruz e sob a forte e segura protecção de um rei-herói que com mão de ferro traçara as fronteiras da pátria. E de então para cá tinha vindo caminhando sempre à sombra da cruz e guiado por grandes reis.
...
Dom Miguel! Esse sim, êsse era o querido do povo, um príncipe que lhe enchia as medidas. Um homem a valer. Homem de palavra e temente a Deus. Homem na fôrça e na coragem. Levantava do chão, só com os dentes, um saco de trigo de seis alqueires; e em esperas de toiros nunca ninguém o vira fugir. E depois era lindo. Alto, delgado, rijo como aço, porte real, cabeça de quem sabe mandar e coração resoluto mas pronto sempre a acudir. Dom Miguel, sim. Esse era o eleito do povo e não os tais deputados de pacotilha a sôldo de estrangeiros.

(continua)

Etiquetas: ,

04 julho 2009

No tempo dos Primeiro, Segundo e Terceiro Milagres



(continuação)

Não é só Portugal. Por tôda a Europa os países estão sofrendo da mesma doença que há-de levá-los à perdição. As nações são como as pessoas e como tudo o que vive sôbre a terra: têm o seu nascimento, o seu crescimento, o seu esplendor de saúde e força; e depois vêm doenças, e a velhice e a morte.
...
A Revolução francesa foi o princípio do fim desta nossa civilização. Sem autoridade, sem obediência, respeito e disciplina, não há sociedade humana possível. Daqui por diante tudo irá de mal a pior. Nenhum rebanho pode viver sem pastores. As ovelhas não se podem governar sòzinhas. Nunca isto aconteceu no mundo. E, por êste caminho o mal irá tão longe que tôda a terra será abrasada como por um grande incêndio.

(continua)

Etiquetas: ,

03 julho 2009

No tempo da Rádio Moscovo Não Fala Verdade



(continuação)

Graças a Deus não nasci parvo nem na minha família há sangue de traidor. Há-de haver sempre quem mande e quem obedeça. E todos nós servimos, seja quem fôr. El-Rei serve a Deus, os fidalgos servem a El-Rei e a gente serve os fidalgos. E assim é que está certo. Constituição e deputados! Pois êsses estúpidos não vêem que é tudo mentira?

(continua)

Etiquetas: ,

02 julho 2009

No tempo das injecções nas orelhas



(continuação)


Deus me perdoe! Igualdade! como se um parvo fôsse igual a quem tem juizo, ou um cobarde a um valente, ou um traidor a um homem leal, ou um entrevado ou um doente, a um homem são e desembaraçado! Ninguém pode acreditar em tais coisas. Fingem que acreditam, estão de má fé, servem-se disto lá para os seus fins. Igualdade! Os mesmos direitos para todos ! Direitos de quê? De fazer poucas vergonhas e mais nada!


(continua)

Etiquetas: ,

01 julho 2009

No tempo das criancinhas ao pequeno almoço



Muitos ali nasciam, ali casavam e ali morriam, sempre amparados pela amizade e protecção dos amos. Porque naquele tempo ainda havia bons amos; e como havia bons amos, havia bons criados. Os amos sabiam muito bem os seus deveres e as suas responsabilidades para com aquêles que os serviam e que êles consideravam como família. E os criados conheciam os seus deveres para com os amos e tinham presunção em os cumprir, e a família dos amos era como se fôsse a sua. Tôda a gente pensava mais nos seus deveres do que nos direitos inventados pela Revolução francesa e que tanta desgraças fizeram e estão fazendo por esse mundo.

(continua)
Virgínia de Castro e Almeida escreveu,
Pamela Boden ilustrou;
O S.N.I. deu à estampa.

Etiquetas: ,