08 julho 2010
07 abril 2010
Blazer

William Kentridge, «Felix in Exile», 1994
Em Solar, o último livro que Lodge escreveu sob o pseudónimo de Ian McEwan, o professor Beard volta a Inglaterra vindo de Berlim e, ao ver os mesmos jornais e revistas de há uma semana, os mesmos títulos, o mesmo Blair e o mesmo Milligan, percebe que já começou o afunilamento mental familiar do regresso a casa.
É neste estreitamento do campo de visão que vivo. Como se agora fosse sempre Inverno - sempre nuvens e neblina, sempre o empreiteiro do Fundão e os rapazes das Jotas, a adjudicação à Siemens ou à Sópedras- e os pintores que restauram as paredes do que chamo a minha casa tivessem substituído , maldosamente, o blazer e o brinjel por cinzento tumular ou pela cor das furnas quando o Rui Bebiano espreita .
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24 outubro 2008
Declaração

Kikai Hiroh
Este blog é contra as velhas do rastreio auditivo. Da estirpe dos blogs outrossim exangues.
Etiquetas: intertexto
04 dezembro 2007
Índia
A Ana vai ler o livro do MST. Pior. Ameaça que vai levar o livro para a Índia. A Índia não tem culpa mas eu sinto que, se isso acontecer, vou passar a gostar menos dela. Só um bocadinho menos e isso não é nada terrível. Acho que estou a envelhecer.
Etiquetas: bloguers tontos, intertexto, MST
25 novembro 2007
Aviso
As mulheres do Leblon caçam intelectuais com a tesão do Houaiss.
Etiquetas: educação sentimental, intertexto
13 novembro 2007
Contra mim falo
Claudia Santos Silva
eu contra mim falo eu escrevo
contra mim
e contra a evidencia
eu contra mim bebo e como
e contra mim me deito
enrodilhada
eu contra mim me visto
e se me dispo é contra a minha
imagem
eu caminho contra os muros
onde um texto ilegível conta
a minha vida
que contra mim teci
Etiquetas: intertexto
06 novembro 2007
O senhor B. (I): HORA DE INVERNO

Filosoficamente falando, Sócrates (o José) estava errado. A mudança de hora foi só este fim de semana.
No intermezzo do desconcerto dos velhos recuperados da sarjeta pela matrona romana de manto de veludo à la visconti daqui, no intermezzo, el Bonirre despediu-se, foi-se embora. Era a sua hora. No pragmatismo bonirreano este é um axioma irrefutável: “Adeus meninos, até amanhã!” (camaradas ou não, àquela hora somos todos, os que ficam, camaradas do outro lado da barricada).
Mas eis que a meio do segundo número, o vemos ressurgido. Voltou para trás. É que depois de distribuir as meninas pelas moradas certas, descobriu que afinal não era uma da manhã, mas apenas 11 horas!
Conclusão ilógica: percebeu que não queria ir para casa (não se pode voltar para casa e perceber, depois de lá estar, que não é lá que se quer estar) e, coerentemente, voltou para trás. E reentrou no salão, ufano e leve, com um grande sorriso de alívio a perguntar à volta “Quem bebe o quê? É hoje! É hoje!”
É a isto que se pode chamar a superioridade moral dos racionalistas. Dos racionalistas cordiais, claro.
sent by//Rosaarosa
Etiquetas: intertexto, rosário
10 junho 2007
O corpo de deus

Nobuyoshi Araki
No dia do Corpo de Deus tentei pôr aqui o corpo de Miss Kidman.
Miss Kidman nua. Foi o que pus nos motores de busca. Os resultados foram decepcionantes. O corpo de deus aparecia sempre acompanhado por fiéis. Procurei com os olhos bem fechados. À medida que avançava na busca percorreu-me um tremor estranho, próximo da perversidade. Pensei que talvez fosse a febre da fé que me assaltava, e desisti do propósito. Quando regressava aos campos da normalidade, encontrei um título curioso. “Como tirar um soutien em dez minutos”. Passou de repente, não anotei o autor, pareceu-me ser uma gravação do youtube. Mas era um título forte, não sei se concordam. Ao corpo de deus deve chegar-se com dificuldade. Deus está no cimo de uma imponente escadaria. No final de uma extenuante caminhada. E mesmo depois dessa canseira, são os acólitos que vemos. Eu andei dez anos para despir um soutien. Laçadas sucessivas de corpete assente sobre a pele que só podia ser de cambraia fina. Até que me perdi nas barbas de baleia.
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